COLUNISTA
Roberto Silva Roberto Silva é engenheiro, foi Superintendente de Portos e Superintendente da Indústria Naval em Secretaria de Estado no Rio de Janeiro, foi gerente geral (CEO) de consórcio responsável pelo contrato de eng., construção e montagem de 7 FPSOs.
o pré-sal em ativo estratégico de escala global, enquanto Guiana emerge como nova fronteira de alta produtividade. Na África, Nigéria e Angola mantêm posição relevante na produção offshore Do ponto de vista logístico, a travessia en- tre o Nordeste brasileiro e o Golfo da Guiné apresenta distâncias competitivas quando comparadas a rotas do Atlântico Norte. Essa proximidade favorece integração maríti- ma direta, cadeias de suprimento offshore, estaleiros, bases de apoio e serviços espe- cializados.
No ambiente digital, a expansão de cabos submarinos conectando diretamente Amé- rica do Sul e África reduz dependências históricas de rotas via Europa ou América do Norte. A conectividade intra-Atlântico Sul tende a ganhar relevância com o crescimen- to de data centers e operações remotas na indústria de óleo e gás. O Atlântico Sul deixa de ser apenas um espaço geográfico. Consolida-se como corredor energético, logístico e digital com escala demográfica, massa econômica e ati- vos estratégicos relevantes. Para a indústria de petróleo e gás, trata-se de um reposicio- namento estrutural de longo prazo.
O Atlântico Sul como corredor energético e logístico do século XXI
debate geopolítico permanece concentrado no Norte Global. No entanto, um eixo estruturante
Na margem sul-americana, destacam-se Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela, Guiana e Suriname. O conjunto reúne cerca de 300 milhões de habitantes e PIB próximo de US$ 4 trilhões, com forte concentração no Brasil. Na margem africana atlântica, países como Nigéria, Angola, Gana, Costa do Marfim, Senegal e África do Sul somam mais de 500 milhões de habitantes e PIB combinado entre US$ 1,7 e 2 trilhões. No campo energético, o Atlântico Sul con- solidou-se como um dos principais polos globais de produção offshore. O Brasil lide- ra mundialmente em unidades flutuantes de produção (FPSOs e FSUs) e transformou
avança no Hemisfério Sul: o Atlântico Sul, especialmente sua faixa tropical oriental, onde se consolida um corredor energético e logístico de escala crescente. Considerando os países africanos e sul-ame- ricanos banhados pelo Atlântico, forma-se um espaço com aproximadamente 850 a 900 milhões de habitantes e PIB agregado estimado entre US$ 5 e 6 trilhões. Trata-se de uma massa econômica comparável a grandes economias nacionais e superior a diversos blocos regionais formalmente constituídos.
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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