Revista digital Oil & Gas Brasil Nº73

MATÉRIA DE CAPA

Contrastes internos e perspectivas

Esse valor coloca Saquarema logo atrás de Maricá e à frente de municípios maiores e mais tradicionalmente associados ao setor petrolífero, reforçando o papel cada vez mais central das compensações petrolíferas nas finanças locais.

Royalties e Participações Especiais (PMCRP) indicam que, em 2024, Saquarema recebeu cerca de R$ 2,012 bilhões em receitas petro- líferas, montante que representou aproxima- damente 66% da receita municipal total no período.

diretamente adjacentes — mas em um con- junto de critérios técnicos que consideram extensão de área marítima de influência geográfica, capacidade logística e estudos demográficos e econômicos. Impactos no orçamento e nas políticas públicas Com mais de metade de sua receita atre- lada ao petróleo, Saquarema enfrenta um conjunto de desafios típicos de municípios altamente dependentes de receitas extraor- dinárias: Capacidade de planejar a longo prazo: a volatilidade dos preços internacionais do petróleo e as mudanças de produção podem alterar significativamente o fluxo de receitas, dificultando projeções orçamentá- rias multianuais. Gestão de prioridades públicas: investimen- tos em infraestrutura urbana, educação, saúde e transporte agora competem com a necessidade de blindar o orçamento contra quedas abruptas nos repasses. Pressões sociais e políticas: moradores e atores locais esperam resultados visíveis — desde obras públicas até serviços sociais — em um contexto em que os recursos são elevados, mas sujeitos a variações. Especialistas em finanças públicas apontam que uma dependência tão elevada de uma única fonte de receita exige estratégias sólidas de estabilização fiscal e fundos de contingência, para que o município possa manter serviços essenciais mesmo em perío- dos de queda dos repasses.

Embora Saquarema esteja entre os maio- res recebedores do país, a cidade enfrenta, como muitas outras no estado do Rio, o desafio de traduzir a riqueza dos royalties em indicadores sociais robustos — educação de qualidade, acesso à saúde e mobilidade urbana eficiente. O arco dessas demandas tem moldado o debate público local, exigin- do um novo tipo de pacto entre a adminis- tração municipal e a sociedade civil. A trajetória de Saquarema é um exemplo contemporâneo de como os royalties do petróleo podem funcionar como um motor de transformação — mas também como um teste severo de governança pública. Niterói: equilíbrio entre receita petrolífera e administração urbana Com vista para a baía de Guanabara e co- nhecida por sua história cultural e qualidade de vida urbana, Niterói ocupa um lugar sin- gular no mapa dos royalties do petróleo no Brasil. Diferente de municípios menores, cuja receita pode depender quase inteiramente de compensações petrolíferas, Niterói com- bina esse fluxo de recursos com uma base econômica diversificada, configurando um cenário distinto de desafios e oportunidades. Dados oficiais da ANP, revisados pelo PMCRP, mostram que, em 2024, Niterói arrecadou cerca de R$ 2,233 bilhões em receitas de royalties e participações especiais, repre- sentando cerca de 37% da receita municipal total no ano.

Foto: Divulgação

A base técnica do salto

Essas áreas aumentaram a influência eco- nômica de municípios com litoral voltado para essas bacias, independentemente de operação direta de extração em seu território urbano. Ao contrário do que muitos acredi- tam, os recursos não são distribuídos com base apenas na presença física de campos offshore

O salto de Saquarema no ranking nacional de royalties está diretamente relacionado à reconfiguração da produção de petróleo of- fshore, com a expansão de áreas altamente produtivas sob regime de partilha e concessão.

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