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permanecêssemos dentro das categorias de causalidade e temporalidade entendidas linearmente” (M. Baranger, W. Baranger, J. Mom 1987, p.750). Desta forma, eles articulam Nachträglichkeit com o que permanece inassimilável no processo analítico. Esses autores enfatizam que o primeiro período, que é mudo, inominável, irrepresentável como a pulsão de morte, precisa da permissão do Nachträglichkeit para se constituir em trauma. Haydee Faimberg , de formação argentina, residente na França há muitos anos, discute o conceito de temporalidade nos textos freudianos e reformula o conceito de Nachträglichkeit (Faimberg, 1981, 1993, 1995, 1998, 2005, 2012) criando uma formulação ampliada do termo, tanto diferente quanto congruente com o pensamento Freudiano. Essa conceituação ampliada também surgiu de seu trabalho clínico e leituras dos relatos clínicos de Winnicott e seus pressupostos subjacentes. Ela afirma (Faimberg, 2007) que a formulação ampliada é essencial tanto na atribuição retroativa de novo significado, por meio da interpretação, quanto na atribuição de significado da primeira vez, através da construção. Localiza dois momentos, um estágio antecipatório, que já está lá, e outro de atribuição de sentido retroativo, que dá existência psíquica à fase antecipatória. Faimberg (Faimberg, 2012) também ressalta a presença implícita do conceito de Nachträglichkeit na obra de Winnicott e define um tipo de presença intersticial do conceito em sua obra, uma presença que está em operação mesmo se não nomeada. Sua leitura dos textos de Winnicott “Fragmentos de uma análise” (1955) e “Medo do Colapso” (1971) é um elo entre a temporalidade psíquica e a própria experiência de cura. Ela avança um passo na formulação da temporalização e da significação (Faimberg, 2013), articulando-as não só com a compulsão a repetição, mas também com a função paterna. Descreve que Winnicott cria condições que permitem o advento daquilo que nunca aconteceu. Na situação que ainda não chegou ela localiza a possibilidade da instituição da função paterna no funcionamento psíquico. Essa criação de algo que não existe está implicitamente associada à operação do Nachträglichkeit. São operações que são realizadas e que constituem lugares psíquicos, permitindo o advento do sujeito. Essas formulações de Nachträglichkeit mostram como a psicanálise opera a mudança psíquica. Jaime Szpilka , psicanalista argentino, residente na Espanha, inicia seu trabalho (Szpilka 2009) com uma declaração sobre a questão do Nachträglichkeit, o considerando essencial tanto para a teoria, como para a direção psicanalítica do tratamento. Também questiona os motivos pelos quais o conceito é colocado em segundo plano, algo que ele crê que ocorre não apenas com autores pós-freudianos, mas também com o próprio Freud.
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