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Sutherland (1963). Esta compreensão da Teoria das Relações de Objeto tem sido tradicionalmente contraposta à Psicologia do Ego tanto na América do Norte como na Europa. As conceituações latino-americanas das Relações de Objeto (abaixo) estão principalmente relacionadas a esta definição britânica de relações de objeto (restrita), em sua compreensão específica da teoria Kleiniana e seus desenvolvimentos, principalmente em Bion, Meltzer e Winnicott. Recentemente, Auchincloss e Samberg (2012), descreveram as Teorias de Relações de Objeto de acordo com suas semelhanças e as agruparam de acordo com algumas de suas diferenças. Abaixo está a versão atualizada e de alguma forma modificada de tal perspectiva. As Teorias das Relações de Objeto compartilham várias das seguintes características: 1. As relações objetais são a unidade básica da experiência. 2. A mente humana é vista como uma buscadora de objeto desde o nascimento; a motivação básica para a busca de objetos não é redutível a qualquer outra força motivacional; 3. As relações objetais internalizadas são construídas no decorrer do desenvolvimento através da interação de fatores inatos (como disposição afetiva inata e equipamento cognitivo) e relacionamento com as outras pessoas (cuidadores). 4. As relações interpessoais refletem relações objetais internalizadas; a psicopatologia, especialmente psicopatologia grave como psicose ou transtorno de personalidade borderline e narcisista, são conceituados em termos de relações objetais. Essas características compartilhadas levam a atitudes teóricas sobre aspectos básicos do modelo psicanalítico da mente, incluindo motivação, estrutura, desenvolvimento e psicopatologia. As teorias das relações de objeto fornecem uma ligação natural ao estudo da família e dinâmicas de grupo, tanto quanto ao estudo do desenvolvimento, como na psicologia do desenvolvimento. As Teorias das Relações de Objeto diferem entre si em vários critérios: 1. Relação com a teoria da pulsão: Klein, Jacobson e Mahler permaneceram intimamente ligadas à teoria pulsional. Loewald, Kernberg, Sandler, Winnicott são exemplos de teóricos das relações objetais que mantiveram uma versão da teoria pulsional com o conceito de pulsão modificado de várias maneiras, colocando a ênfase no afeto e nas relações objetais como os blocos de construção das pulsões. Fairbairn, Guntrip e Sullivan são geralmente vistos como os mais distantes da teoria pulsional freudiana. 2. A importância da agressão na vida psíquica: embora muitas vezes Klein seja vista como alguém que se concentra na agressão, os analistas kleinianos acreditam que seria mais correto dizer que sua teoria se concentra em cisão, que pode incluir a cisão entre amor e ódio, que assume um papel central na vida psíquica. 3. A importância da interação real versus a fantasiada: a teoria interpessoal de Sullivan enfatizou a interação real; a teoria de Klein enfatizou a “ fantasia” (phantasy) como a representação de instinto e como tais representações coloriam o objeto. 4. A questão de se a situação clínica é moldada principalmente pelas relações de objeto internalizadas ou pela interação real, diádica, paciente-analista: Klein e Kernberg enfatizaram a primeira; Greenberg e Mitchell enfatizaram a última.
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