Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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II. HISTÓRIA - RAÍZES: BLOCOS DE CONSTRUÇÃO E/OU PROBLEMAS TEÓRICOS

As relações objetais surgiram como um problema teórico na história da psicanálise antes da contribuição de Klein na década de 1920 e da subsequente formulação da teoria das relações de objeto na Grã-Bretanha nas décadas de 1940 e 1950. O conceito de relações objetais não faz parte da metapsicologia Freudiana, nem a teoria pulsional clássica atribui um significado particular à história do desenvolvimento além da teoria dos estágios libidinais. O problema das relações objetais, no entanto, é inerente à teoria clássica, na medida em que “ os instintos são direcionados para objetos e objetos só podem ter significado se o indivíduo tiver algum impulso para se relacionar com eles” (Rycroft, 1995: 83-4). Embora as relações objetais e as pulsões não sejam necessariamente opostos intrínsecos num sentido formal , a distinção pode, no entanto, ser aplicada quando se trata de avaliações práticas e discriminações clínicas, especialmente do ponto de vista das Relações de Objeto britânicas. Consequentemente, historicamente, as perspectivas psicanalíticas têm sido frequentemente vistas como divididas em teoria pulsional e teorias das relações de objeto. II. A. Raízes em Freud - Perspectiva dos Blocos de Construção: Significado da Identificação e da Perda de Objeto na Formação da Estrutura Freud usou o termo objeto ao longo de seus escritos em muitos aspectos do desenvolvimento de sua teoria, incluindo motivação, estrutura, desenvolvimento, psicopatologia, etc. (Freud, 1905, 1914, 1915, 1917a, 1919, 1920, 1923, 1926). O objeto freudiano é sempre firme e fundamentalmente ligado à pulsão, tanto no desenvolvimento quanto na transformação patológica (1905, 1938). Em seus escritos, Freud explorou várias complexidades dos mecanismos de internalização e externalização e mecanismos identificatórios e projetivos, relevantes para as futuras teorias das relações de objeto. Exemplos são seu trabalho sobre a Melancolia (Freud, 1917a) e a formação do Superego, herdeiro do complexo de Édipo (1923, 1931, 1938). Seu artigo sobre o Narcisismo (Freud, 1914), frequentemente considerado, juntamente com Luto e Melancolia (Freud, 1917a) como contendo raízes das teorias das relações de objeto, articula o conceito de escolha de objeto , distinguindo entre o tipo narcisista do desenvolvimento inicial e o tipo anaclítico posterior. Ao usar o termo relações objetais pela primeira vez em Luto e Melancolia (Freud, 1917a), ele fala da identificação como “ uma etapa preliminar da escolha objetal”: “ ... a primeira forma - … - pela qual o ego escolhe um objeto. O ego deseja incorporar a si esse objeto, e, em conformidade com a fase oral ou canibalista do desenvolvimento libidinal em que se acha, deseja fazer isso devorando-o” (Freud, S. (1917), Luto e Melancolia, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 255). O que Freud parece ter considerado mais tarde como a característica mais significativa deste artigo foi precisamente o relato do processo pelo qual na melancolia, um investimento objetal é substituído pela identificação. Alguns anos depois, em Psicologia de

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