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Grupo e a Análise do Ego (1921), onde o tema da identificação é retomado, uma mudança na visão anterior – ou talvez apenas um esclarecimento dela – parece emergir. A identificação, aí, é algo que precede o investimento objetal e é distinto dele. Além disso, voltando ao tópico de identificação, na Psicologia de Grupo, Freud usou a palavra 'introjeção' em vários pontos. Ele escreve: “ primeiro, a identificação constitui a forma original de laço emocional com um objeto; segundo, de maneira regressiva, ela se torna sucedâneo para uma vínculação de objeto libidinal, por assim dizer, por meio de introjeção do objeto no ego; e terceiro, pode surgir com qualquer nova percepção de uma qualidade comum partilhada com alguma outra pessoa que não é objeto de instinto sexual (Freud, S. (1921), Psicologia de Grupo e a Análise do Ego, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 117). Esta visão da identificação é consistentemente enfatizada em muitos dos escritos posteriores de Freud, como, por exemplo, em O Ego e o Id (1923), onde ele escreve que essa identificação primária com os pais “ aparentemente não é, em primeira instância, a consequência ou resultado de uma catexia do objeto; trata-se de uma identificação direta e imediata, e se efetua mais primitivamente do que qualquer catexia do objeto” (Freud, S. (1923), O Ego e o Id, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 44). Ele argumentou que esse processo não se restringe à melancolia, mas é de ocorrência geral. Estas identificações primárias são, em grande medida, a base daquilo que descrevemos como o “ caráter” de uma pessoa. Mas, mais importante, ele sugeriu que as identificações decorrentes da dissolução do complexo de Édipo formam o núcleo do superego (cf. J. Strachey 1957, pág. 240-242). (Ver O INCONSCIENTE, CONFLITO, PSICOLOGIA DO EGO) Escrevendo sobre a conexão de Freud com as teorias relacionais, Modell (1995) afirma: “ As teorias posteriores de Freud enfatizaram a importância da identificação e da perda do objeto na formação da estrutura... Freud postulou que o que foi internalizado representava uma relação entre pessoas. Por exemplo, em Esboço de Psicanálise (Freud, 1940), ele descreveu a função do superego em relação ao ego como continuando as funções desempenhadas pelas pessoas no mundo externo. Fairbairn essencialmente ampliou o conceito de Freud de relações de objeto internalizadas. Embora Freud nunca tenha desenvolvido uma teoria relacional como tal, pois ele nunca assumiu o conceito de um self, em minha monografia de 1968, Object Love and Reality [Amor Objetal e Realidade], observei que há de fato uma teoria freudiana latente das relações objetais” (Modell, 1995, p. 109). Na verdade, em mais de uma ocasião, Freud (ver 1917b, p. 347 e a nota de rodapé que o acompanha) evocou a noção de “ séries complementares” em questões de etiologia, isto é, uma complementaridade variável entre fatores internos e externos, dependendo do caso. Em sua Psicologia de Grupo e a Análise do Ego, Freud alertou contra a dicotomia entre os fatores internos e externos: “É verdade que a psicologia individual relaciona-se com o homem tomado individualmente e explora os caminhos pelos quais ele busca encontrar satisfação para seus impulsos instintuais; contudo, apenas raramente e sob certas condições excepcionais, a psicologia individual se acha em posição de desprezar as relações desse indivíduo com os outros” (Freud, S. (1921), Psicologia de Grupo e a Análise do
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