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Ego, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 81)
II. B. Raízes em Freud - O problema das relações objetais: relações de objeto como secundárias à pulsão O problema das relações objetais é evidente ao longo dos escritos de Freud. Ele surge cedo, por exemplo, nos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade , onde Freud escreve: “ Não é, sem boas razões que, para a criança, a amamentação no seio materno torna-se modelar para todos os relacionamentos amorosos. O encontro do objeto é, na verdade, um reencontro” (Freud, S. (1905), Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 210). O objeto libidinal, no entanto, é visto por Freud – dentro do quadro metapsicológico geral de fonte, meta e objeto do instinto – especificamente em termos de escolha de objeto e satisfação/frustração da pulsão. Na teoria clássica, o prazer aponta o caminho para a escolha do objeto (Freud 1909: 108). E ao enfatizar, na maior parte, o que satisfaz ou frustra a pulsão, Freud privilegiou uma perspectiva biológica das relações objetais, dando prioridade à dimensão energética e econômica na experiência humana. A ênfase nas raízes instintivas das relações de objeto significa que o objeto é visto como consequência da organização genital dos instintos componentes e das zonas erógenas. As relações objetais continuam sendo uma função de pulsão para Freud, onde a estimulação é explicável sem referência ao contexto objeto-relacional. Compare a seguinte afirmação com a passagem anterior dos Três Ensaios : “ …por exemplo, quando se estimula por contato, numa pessoa não excitada sexualmente, uma dada zona erógena, digamos a pele do seio de uma mulher. Esse contato logo provoca uma sensação prazerosa, mas, ao mesmo tempo, presta-se como nenhum outro para despertar uma excitação sexual que exige um aumento do prazer” (Freud, S. (1905), Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 198). Aqui, como em outros lugares, a excitação é explicável na interpretação freudiana sem referência ao contexto interpessoal. O conceito de objeto, se não o de relação de objeto, sofre certas mudanças na segunda tópica ou modelo estrutural. De origem endógena, biologicamente determinados, os impulsos continuam sendo o princípio motivacional subjacente para Freud; enquanto, ao mesmo tempo, mais ênfase é dada às relações iniciais – isto é, dentro das quais são realizadas e organizadas as múltiplas demandas da pulsão. O problema das relações objetais está agora ligado a uma série conceitual que antecipa a formulação do modelo estrutural: o narcisismo (1914); o novo dualismo pulsional introduzido em Além do Princípio do Prazer (1920); a fusão dos instintos; sublimação instintual; e identificação (1921). A capacidade do objeto de influenciar a natureza da estrutura psíquica é exposta, contra o pano de fundo deste desenvolvimento conceitual, em ‘ Luto e Melancolia ’ (1917a): “ Existem, num dado momento, uma escolha objetal…; então, devido a uma real desconsideração ou
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