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desapontamento proveniente da pessoa amada, a relação objetal foi destroçada... a libido livre não foi deslocada para outro objeto; foi retirada para o ego... não foi empregada de maneira não especificada, mas serviu para estabelecer uma identificação do ego com o objeto abandonado. Assim, a sombra do objeto caiu sobre o ego” (Freud, S. (1917), Luto e Melancolia, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 254). O processo descrito em ‘ Luto e Melancolia – ’ ou seja, uma alternância do ego com base em uma relação objetal precoce que segue a perda do objeto - é generalizada em Psicologia das Massas e em Análise do Eu (1921) como um fenômeno da psicologia normal. A despeito desses desenvolvimentos conceituais, a noção de relação de objeto não recebe maior valor explicativo na segunda teoria do aparelho psíquico do que na primeira teoria (topográfica). As implicações de desenvolvimento das relações de objeto são, contudo, mais elaboradas em O Ego e o Id , com referência a “ uma instalação do objeto dentro do ego” (Freud, S. (1923), o Ego e o Id, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 42). A estruturação do ego e do superego depende de uma série de perdas objetais. Freud assim avança a suposição de que “ o caráter do ego é um precipitado de catexias objetais abandonadas e que ele contém a história dessas escolhas de objeto” (Freud, S. (1923), o Ego e o Id, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 2a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1987, p. 42). Estruturas com uma história de desenvolvimento, relíquias de relações objetais, estão incluídas ao lado das pulsões determinadas constitucionalmente e suas vicissitudes ou transformações. Os efeitos do complexo de Édipo sobre a estruturação da psique são vistos, portanto, em termos de identificações existentes no lugar de catexias abandonadas. II. C. Raízes em Sándor Ferenczi e Otto Rank Além do problema das relações de objeto na teoria clássica das pulsões, onde os objetos são criados pelo sujeito a partir da experiência de satisfação/frustração pulsional, Sándor Ferenczi foi um dos primeiros analistas a reconhecer explicitamente (i) que as relações de objeto existem desde o início da vida, e (ii) que as relações de objeto podem ser encontradas nas estruturas mais profundas da mente (Haynal 1988; Kohon 1986). Juntamente com suas contribuições inspiradoras para a teoria da técnica clínica, baseada na análise de pacientes regredidos, a ênfase de Ferenczi na falha ambiental precoce e trauma infantil constitui o pano de fundo para o desenvolvimento da teoria das relações de objeto na escola britânica de Klein, Fairbairn, Balint e Winnicott. (Ver CONTRATRANSFERÊNCIA, INTERSUBJETIVIDADE) O livro de Otto Rank, Grundzuege einer genetischen Psychologie [ Esboço geral de uma psicologia genética ] (1927) introduziu o conceito “pré-edípico" sob o título do capítulo “ Génese da relação de objeto”, reforçando assim a ideia de que existe uma fase de desenvolvimento antes do complexo de Édipo, o que também constituiu uma parte essencial das origens da teoria das relações objetais. A contribuição de Rank representa uma de uma série de quebras decisivas com a interpretação freudiana do desenvolvimento psicossexual: “ A
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