Retornar ao sumário
saga de Édipo é certamente uma duplicata do episódio da Esfinge, o que significa que, psicologicamente, é a repetição do trauma primordial na fase sexual (complexo de Édipo), enquanto a Esfinge representa o trauma primordial em si” (Rank 1924, p.144). A identificação da Esfinge – isto é, o ‘ estrangulador – ’ como “ o símbolo nuclear da ansiedade primária” postula o trauma como um fenômeno relacional que ocorre no início da vida, em particular no que diz respeito à separação e à individuação.
III. HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO POSTERIOR: TEORIA BRITÂNICA DAS RELAÇÕES DE OBJETO
De certa forma, só foi possível avançar a ideia de relações objetais a partir do ponto de vista estrutural da segunda tópica. Freud continuou a ver o impulso como um derivado da tensão pulsional, e via os impulsos como direcionados secundariamente aos objetos - isto é, quando os objetos se apresentam e mostram-se eficazes na redução da tensão, são vivenciados como gratificantes. O desenvolvimento da teoria das relações de objeto exigiu uma revisão mais ou menos extensa da teoria dos instintos de Freud. Alguns autores argumentam que o termo “ escola de relações de objeto” se aplica a um grupo específico de analistas da tradição Independente – mais notavelmente, Fairbairn, Winnicott e Michael Balint (cf. Kohon 1986; Hinshelwood 1989; Spillius et al. 2011). No entanto, deixando de lado a noção mais organizada de uma “ escola”, e mais adiante sobre o problema das relações objetais em Freud, a teoria das relações de objeto desenvolveu- se ao longo de dois eixos dentro da psicanálise britânica: de um lado, a tradição independente dentro do Sociedade Britânica depois de 1945; por outro lado, o trabalho de Klein e dos kleinianos contemporâneos (Schafer 1997), para quem a importância das relações de objeto inconscientes é vista em termos dos processos de projeção e introjeção. Isaacs (1948) faz uma contribuição significativa, aqui, no que diz respeito à ideia do objeto interno como uma fantasia (phantasy) inconsciente da relação entre a pulsão e o objeto. III. A. Klein: Objetos Internos e a Intencionalidade das Pulsões Melanie Klein lançou as bases para a teoria das relações de objeto, que continuou a se estender desde a década de 1970 para além do seu ponto de origem na escola britânica. No marco psicanalítico geral, que permanece aplicável ao grupo kleiniano contemporâneo na Grã- Bretanha (Schafer 1997), Klein manteve a visão de Freud das pulsões como a o princípio motivacional subjacente na vida humana; ao mesmo tempo que redefiniu o próprio conceito de “ pulsão”. Klein julgou suas considerações a respeito das origens internas da experiência humana como um contínuo da teoria freudiana clássica; ela viu seu trabalho, essencialmente, como uma
314
Made with FlippingBook - Online catalogs