Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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bebê. In: Inveja e Gratidão e outros trabalhos, 1946-1963, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1991, p. 104, nota de rodapé 25). Se o desenvolvimento prosseguir normalmente, o objeto bom e amado será cada vez mais estabelecido internamente como o núcleo estável do ego. No entanto, a dor depressiva pode ser insuportável e muitas vezes é contraposta por defesas maníacas e obsessivas, e pelo recuo para a cisão e a paranóia da posição esquizo-paranóide. A posição depressiva não é uma conquista definitiva, mas deve ser elaborada repetidamente ao longo da vida, embora em boas circunstâncias haja uma trajetória ao longo da vida em direção a uma relação mais profunda e mais tridimensional consigo mesmo e com os outros, e uma maior capacidade de reintegração após um colapso esquizo-paranóide. Klein descreve o processo de aumento da percepção da realidade assim: “ Tudo indica que nesse estágio de desenvolvimento a unificação entre os objetos externos e internos, amados e odiados, reais e imaginários se dá de tal forma, que cada etapa conduz a uma nova cisão das imagos. Contudo, à medida que vai aumentando a adaptação ao mundo externo, essa cisão ocorre em planos que vão se aproximando cada vez mais da realidade. Essa situação se mantém até que o amor pelos objetos reais e internalizados, assim como a confiança neles, esteja bem estabelecida.” Klein, M. (1935), Uma contribuição à psicogênese dos estados maníaco-depressivos. In: Amor Culpa e Reparação e outros trabalhos, 1921-1945, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1996, p.328) No geral, com base na visão de Freud, Klein (1927, 1932, 1937, 1952a, 1952b) propôs que todo o mundo interno é construído sobre múltiplas internalizações, ou objetos internos, através de processos que se iniciam nos primeiros dias de vida. Na visão kleiniana, o objeto interno é: 1. Uma fantasia (NT: phantasy no original); 2. Uma parte do corpo, por exemplo “ o seio” ou “ pênis”; 3. Impregnado com experiências internas de prazer e dor; 4. Vivenciado como uma presença viva; 5. Dividido defensivamente em partes “ todas boas” e “ todas más” como proteção contra agressão. Se o desenvolvimento prosseguir de maneira ideal, esses objetos parciais serão integrados em objetos totais. 6. Embora os objetos internos possam ser bons, o trabalho de Klein focou (ainda que não exclusivamente) em objetos internos “ maus”; 7. Todas representações de objeto e de self são construídas através de processos contínuos de projeção e introjeção; consequentemente, essas representações do objeto e do self não podem ser totalmente diferenciadas entre si; 8. O Objeto Interno é distinto do Objeto Externo: O Objeto Externo é definido como uma representação do objeto que não foi levado para dentro do corpo. O desenvolvimento psicológico continua da posição esquizo-paranóide, que é dominada pelos processos defensivos de cisão e identificação projetiva e caracterizada por objetos parciais (e partes do self), em direção à posição depressiva de tolerância à ambivalência e integração de vários objetos parciais em objetos totais. A psicopatologia reflete a fixação ou ressurgimento de aspectos das posições esquizo-paranóides ou depressivas. Na visão de Klein (1929, 1946), todos os processos de internalização (relacionados a objetos internos) estão relacionados ao manejo da ansiedade diante da inundação dos objetos

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