Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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A interação entre objetos bons e maus de Klein emerge de forma particularmente sucinta em seu artigo “ Sobre o Sentimento de Solidão”. Ela afirma que “ o ego existe e funciona desde o nascimento. No começo, ele é muito desprovido de coesão e é dominado por mecanismos de cisão. O perigo de ser destruído pela pulsão de morte dirigida contra o self contribui para a cisão dos impulsos em bons e maus; devido à projeção desses impulsos sobre o objeto originário, este também é cindido em bom e mau. Como consequência, nos estágios mais iniciais, a parte boa do ego e os objetos bons estão, em certa medida, protegidos, já que a agressão é desviada deles. Esses são os processos específicos de cisão que tenho descrito como a base de uma segurança relativa no bebê muito pequeno, na medida em que é possível alcançar segurança nesse estágio, ao passo que outros processos de cisão, tais como os que levam à fragmentação, são prejudiciais ao ego e sua força.” (Klein (1963), Sobre o sentimento de solidão. In: Inveja e Gratidão e outros trabalhos, 1946-1963, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1991, p. 341) O impulso para a integração “ aumenta com o crescimento do ego. Esse processo de integração baseia-se na introjeção do objeto bom, primordialmente um objeto parcial - o seio da mãe, embora outros aspectos da mãe também entrem até na mais antiga relação. Se objeto interno bom é estabelecido com relativa segurança, ele se torna o cerne do ego em desenvolvimento.” (Klein (1963), Sobre o sentimento de solidão. In: Inveja e Gratidão e outros trabalhos, 1946-1963, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1991, p. 341) “…a integração, se puder ser alcançada, tem o efeito de mitigar o ódio através do amor e, dessa forma, tornar os impulsos destrutivos menos poderosos. O ego, então, sente-se mais seguro, não apenas em relação à sua própria sobrevivência mas também em relação à preservação de seu objeto bom… No entanto, a integração é difícil de ser aceita. A reunião de impulsos destrutivos e amorosos - e dos aspectos bons e maus do objeto - faz surgir a ansiedade de que os sentimentos destrutivos possam dominar os sentimentos amorosos e colocar em perigo o objeto bom. Por isso, há um conflito entre a busca da integração como uma proteção contra os impulsos destrutivos e o medo de que, com a integração, os impulsos destrutivos coloquem em perigo o objeto bom e as partes boas do self .” (Klein (1963), Sobre o sentimento de solidão. In: Inveja e Gratidão e outros trabalhos, 1946-1963, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1991, p. 342-3) A preservação do objeto bom no interior é a tônica principal de sua teoria. Há de fato um foco especial no efeito das forças destrutivas sobre aquele objeto bom internalizado, mas o foco terapêutico é ajudar as forças construtivas e amorosas a predominarem. Para citar Klein, “ Um bebê contente, que suga com satisfação, dissipa a ansiedade da mãe; e a felicidade dela se expressa na maneira pela qual ela o pega e alimenta, diminuindo assim a ansiedade persecutória dele e influindo na sua habilidade para internalizar o seio bom.” (Klein (1963),

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