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Sobre o sentimento de solidão. In: Inveja e Gratidão e outros trabalhos, 1946-1963, Rio de Janeiro, Imago Editora, 1991, p. 353) Como em Freud, a teoria de Klein é baseada na pulsão. Suas diferenças residem em termos de parâmetros de tempo, no conteúdo da fase final do desenvolvimento (e da terapia), e na relativa importância dos fatores internos versus externos (ambientais) no desenvolvimento e etiologia da psicopatologia: a teoria de Klein postula a conquista da posição depressiva (e plena resolução dos conflitos edípicos com um superego totalmente estruturado) nos primeiros 18 meses da vida, em termos da integração de atitudes de amor e ódio em relação ao objeto. Isso difere da integração dos vários componentes parciais da pulsão, como nas fases psicossexuais postuladas por Freud, que leva a uma estruturação interna gradual, resultando da formação do superego por volta dos cinco anos. No sistema de Klein, em termos da importância relativa dos fatores internos e externos (ambientais) no desenvolvimento e da mesma forma na patogênese, a fantasia é dominante, enquanto que é mínimo o impacto dos fatores externos, incluindo ansiedade ou depressão materna. Não há um equivalente ao reconhecimento explícito da complementariedade complexa, como nas “ séries complementares” de Freud, e apenas raros indícios de que a qualidade do processamento psíquico parental pode ter um impacto no “ nível” de cisão da criança. No entanto, o conceito de “ objetos internos inconscientes” representa a principal e mais duradoura contribuição de Klein para a psicanálise e a teoria das relações de objeto. O desenvolvimento kleiniano baseia-se nesta descoberta, onde as descrições da posição esquizo- paranóide (1946) e da posição depressiva (1935; 1940) fornecem a estrutura para abordar a pulsão como um determinante da motivação, mais precisamente, do ponto de vista dos objetos internos. III. B. Bion Wilfred Bion expandiu as teorias de projeção-introjeção de Klein, mais notavelmente, com respeito ao papel comunicativo dos processos projetivo-introjetivos no desenvolvimento humano normal: “ Partirei do pressuposto de que existe um grau normal de identificação projetiva (sem definir os limites em que se situa a normalidade) e de que, associada à identificação introjetiva, a primeira constitui a base em que repousa o desenvolvimento normal.” (Bion, W.R. (1959) Ataques à ligação. In: Estudos Psicanalíticos Revisados (Second Thoughts), 3a. Edição revisada, Rio de Janeiro, Imago, 1994, p. 119). Nesse caso, a identificação projetiva é entendida como o vínculo do bebê com o seio, o que torna possível para ele lidar com “ sentimentos, vigorosos demais para serem contidos no interior de sua personalidade” (1959:123). Bion indica até que ponto esta ligação fundamental pode ser perturbada, “ atacada”, de duas maneiras, seja pela recusa da mãe em receber a identificação projetiva do bebê ou a inveja do bebê pelo seio bom ou uma combinação dos dois. Em ambos os casos, isso resulta em “ identificações projetivas excessivas”, onde a intenção original de comunicação da identificação projetiva é destruída levando a uma “ grave parada do desenvolvimento. Além disso, graças à recusa ao principal método de que dispõe o bebê para
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