Retornar ao sumário
(1963b); e (iii) do estado primário não integrado da personalidade à personalidade individual organizada caracterizada pela estrutura edípica. O potencial herdado ou criatividade primária do bebê imaturo atinge um “ estado unitário” (Winnicott, D. (1960), Teoria do relacionamento paterno-infantil. In: O ambiente e os processos de maturação. 3a. edição, Porto Alegre, Artes Médicas, p. 44) – ou seja, o bebê se torna uma pessoa, capaz de relações interpessoais – desde que a mãe atenda às necessidades relacionais do bebê de diferentes maneiras nos vários estágios do desenvolvimento individual. A relação primitiva entre mãe e o bebê "não deriva da experiência instintiva, nem de uma relação de objeto baseada na experiência instintiva” (Winnicott, D. (1952) Ansiedade associada a insegurança. In: Da pediatria à psicanálise, 2a. ed. São Paulo: Ubu Editora, 2025. p. 210). Em vez disso, a provisão materna é vista como independente da satisfação das necessidades instintivas. É o ambiente que permite a possibilidade de experienciar os impulsos, ou capacita o bebê a fazer uso do instinto: “ não é a satisfação instintiva que faz o bebê começar a ser... O self deve preceder o uso do instinto pelo self” (Winnicott, D. (1967) A localização da experiência cultural. In: O brincar e a realidade. São Paulo: Ubu Editora. 2019, p. 160). Winnicott postula uma experiência inicial de onipotência em que a potencialidade é realizada como ilusão. A adaptação da mãe, quando suficientemente boa, proporciona uma “ oportunidade de ter a ilusão de que o seio é uma parte dele [do bebê] (p. 29)… de que existe uma realidade externa que coincide com su própria capacidade criativa. (p. 31) … o seio é criado e recriado pela capacidade que o bebê tem de amar, ou (também é possível dizer) pela necessidade (p. 29)” (Winnicott, D. (1967) Objetos transicionais e fenômenos transicionais. In: O brincar e a realidade. São Paulo: Ubu Editora. 2019, p. 29-31). A correspondência ou sobreposição incorporada na ilusão (cf. Milner 1952; 1977), a sensação do bebê de que o que ele cria realmente existe (como um ‘ objeto subjetivo ’ em vez de um ‘ objeto objetivamente percebido ’ ), sustenta a continuidade vital do ser e, por sua vez, constitui a área de experiência à qual pertencem os “ objetos transicionais” e os “ fenômenos transicionais”. A ilusão faz parte de um processo emocional, que inclui a retirada gradual da ilusão; daí o processo unitário de ilusão-desilusão. A maior capacidade de resposta da mãe ( “ preocupação materna primária”) ao inicial desejo de ser do bebê cede lugar à falha gradual da adaptação como condição adicional de desenvolvimento. A falha de adaptação nesta fase, não é tanto uma falha de confiabilidade, mas uma expressão da mãe suficientemente boa falível, que prossegue com o processo de desilusão ao apresentar o mundo-objeto para seu bebê em doses pequenas e administráveis. Este processo permite a separação do mundo-objeto do senso de self emergente da criança: “ De um estado de fusão com o mãe, o bebê chega ao estágio estágio em que começa a separar a mãe do self mesmo e ela diminui seu nível de adaptação às necessidades dele [do bebê]” (Winnicott, D. (1971). O lugar e m que vivemos In: O brincar e a realidade. São Paulo: Ubu Editora. 2019, p. 172). 2. Winnicott, como Balint, tratou os aspectos terapêuticos da regressão no contexto de uma psicopatologia revisada das relações objetais, com uma clara insistência, no caso de Winnicott, de que os bebês ficam doentes. A doença psicológica é vista como uma expressão de falha ambiental, que, de acordo com Winnicott, “ pode ser tremendamente devastadora” (p.
329
Made with FlippingBook - Online catalogs