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57) e inclui: esquizofrenia infantil ou autismo; esquizofrenia latente; falsa autodefesa; e personalidade esquizóide (Winnicott, D. (1962a), A integração do ego no desenvolvimento da criança. In: O ambiente e os processos de maturação. 3a. edição, Porto Alegre, Artes Médicas, 1983, p. 57-58). Como o resultado do impacto traumático e das falhas da provisão básica no início, ansiedades psicóticas (ou “ agonias primitivas”, como passaram a ser descritas) precipitam uma série de manobras defensivas ( “ reações”), pelas quais a criança procura proteger seu self central. Winnicott (1963c) elaborou esses estados primitivos em seu artigo publicado postumamente, ‘ Medo do Colapso ’ , como segue: um retorno a um estado não- integrado (defesa: desintegração); cair para sempre (defesa: sustentar-se / self-holding ); perda do conluio psicossomático, fracasso da despersonalização (defesa: despersonalização); perda do senso do real (defesa: exploração do narcisismo primário); e perda da capacidade de relacionar-se com objetos (defesa: estados autistas, relacionados apenas a fenômenos do self). Mais importante, ele postulou que a doença psicótica é “ uma organização defensiva relacionada a uma agonia primitiva” (Winnicott, D. (1963c), O medo do colapso (breakdown). In: Explorações psicanalíticas, Porto Alegre, Artes Médicas, 2005, p. 72). 3. Winnicott introduziu técnicas terapêuticas que permitem a regressão ao lado da “ análise normal conforme àquela destinada ao manejo da posição depressiva e do complexo de Édipo nos relacionamentos interpessoais” (Winnicott, D. (1954) Aspectos clínicos e metapsicológicos da regressão no contexto analítico. In: Da pediatria à psicanálise, 2a. ed. São Paulo: Ubu Editora, 2025. p. 501). Em termos de “ análise normal”, no seu artigo “ Os Objetivos do Tratamento Psicanalítico” Winnicott confirma que “ me mantenho manobrando no sentido de uma análise padrão” (1962b: 152), Os objetivos do tratamento psicanalítico. In: O ambiente e os processos de maturação. 3a. edição, Porto Alegre, Artes Médicas, 1983, p. 152). E, por “ análise padrão” ele quer dizer “ me comunicar com o paciente da posição em que a neurose (ou psicose) de transferência me coloca” (Winnicott, D. (1962b), Os objetivos do tratamento psicanalítico. In: O ambiente e os processos de maturação. 3a. edição, Porto Alegre, Artes Médicas, 1983, p. 152). Nesta posição ou situação, o analista é simultaneamente um objeto subjetivo para o paciente e um ambiente interno confiável baseado no teste da realidade. Em termos de “ análise modificada”, o ponto importante é que o analista se encontra trabalhando "como um analista ao invés de realizar análise padrão” (1962b: 154). Como Winnicott (1962b: 154; grifo nosso) coloca: “ faço psicanálise quando o I é de que este indivíduo, em seu ambiente, quer psicanálise. Posso até tentar estabelecer uma cooperação inconsciente, ainda quando o desejo consciente pela psicanálise esteja ausente … Quando me defronto com o tipo errado de caso, me modifico no sentido de ser um psicanalista que satisfaz, ou tenta satisfazer, as necessidades, de um caso especial”. Além disso, Winnicott sustentava que um analista que é treinado na técnica psicanalítica padrão, está em melhor posição para este tipo de trabalho não analítico. Winnicott (1962b: 154) fez questão de salientar que baseou seu trabalho analítico em diagnóstico, e que os critérios diagnósticos permitiram diferenciar clinicamente entre pacientes que regridem, no decorrer do tratamento, no âmbito da relação transferencial; e pacientes que estão regredidos (limítrofes ou esquizóides) e que necessitam de um ambiente de sustentação
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