Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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no setting analítico. Para os últimos, o manejo pode tornar-se “ a totalidade do trabalho” (Winnicott, D. (1954) Aspectos clínicos e metapsicológicos da regressão no contexto analítico. In: Da pediatria à psicanálise, 2a. ed. São Paulo: Ubu Editora, 2025. p. 480). e: “ Na pessoa muito doente há pouquíssima esperança de uma nova oportunidade. Num caso extremo o terapeuta teria que ir até o doente e proporcionar-lhe ativamente uma boa maternagem, experiência que não poderia ser esperada pelo paciente” (Winnicott, D. (1954) Aspectos clínicos e metapsicológicos da regressão no contexto analítico. In: Da pediatria à psicanálise, 2a. ed. São Paulo: Ubu Editora, 2025. p.: 483-4). Onde as primeiras falhas ambientais não foram totalmente desastrosas, Winnicott trata a regressão em termos de uma crença inconsciente, que pode se tornar uma esperança consciente, “ que certos aspectos do ambiente que falharam originalmente possam ser revividos, com o ambiente dessa vez tendo êxito ao invés de falhar na sua função de facilitar a tendência herdada do indivíduo de se desenvolver e amadurecer.” (Winnicott, D. (1959). Classificação: existe uma contribuição psicanalítica à classificação psiquiátrica? In: Processos de amadurecimento e ambiente facilitador. São Paulo: Ubu Editora, 2022, p. 161). Se for para ser realizado, no entanto, a crença na experiência renovada tem que ser genuinamente atendida – isto é, dentro de um ambiente “capaz de realizar a adaptação adequada” (1954: 483). O que o analista faz e como ele se comporta não é menos importante, aqui, do que comunicar-se com o paciente na transferência por meio da interpretação. Regressão clínica significa regressão organizada , por meio da qual o analista responde à necessidade do paciente de um ambiente tanto interno como externo. Isto envolve o fornecimento de um espaço vivo ou potencial, onde os pacientes podem encontrar novas formas de se recuperarem; logo, uma “ regressão em busca do verdadeiro self” (1954: 480). No geral, juntamente com Guntrip (1961, 1968), Winnicott (1954, 1960) é comumente considerado como tendo enfatizado a importância essencial de uma falha do objeto materno ( “ deficiência ambiental”) na etiologia inicial do desenvolvimento patológico, que subsequentemente pode resultar na constelação do falso-self: superficial, orientado para o exterior, e basicamente inautêntico, em oposição ao verdadeiro self, implicando integração do mundo interno consciente e inconsciente do indivíduo. Além disso, os tratados de Winnicott sobre o valor da agressão no desenvolvimento (1951), o uso do objeto (1969) e suas teorias sobre objetos transicionais e fenômenos transicionais (Winnicott, D. 1953, 1965), transferência-contratransferência (1949) e outras, têm ampla aplicabilidade em estudos de desenvolvimento, teoria clínica, técnica e estudos interdisciplinares sobre criatividade e arte. III. D. Bowlby Tendo sido supervisionado por Melanie Klein, John Bowlby ficou consternado com aquilo que viu como sendo um interesse exclusivo dela na vida de fantasia interior da criança e uma rejeição ao relacionamento real com a mãe. Em sua análise detalhada do desenvolvimento infantil precoce, especialmente os efeitos da separação traumática da mãe ou inacessibilidade emocional desta, Bowlby (1969) via o apego à mãe como o impulso primário.

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