Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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Uma organização patológica é vista como formando uma estrutura defensiva sob condições de grave falha ambiental e/ou excesso de inveja e destrutividade na personalidade. A integração habitual de bons e maus objetos não ocorreu devidamente, porque mais que uma divisão binária habitual em ‘bom’ e ‘mau’ self e objeto na posição esquizo-paranóide, ocorreu uma excessiva fragmentação e confusão de bom e mau, levando potencialmente a um insuportável estado psicótico ou quase psicótico, onde o mundo interior está cheio de objetos fragmentados persecutórios e confusos. A organização patológica permite ao paciente fugir de angústias persecutórias e depressivas avassaladoras, evitando o contato emocional com os outros e com a realidade interna e externa. Funciona reunindo os objetos parciais fragmentados e confusos em uma estrutura perversa e repleta de ódio. Uma forma disso é a 'gangue', ou 'máfia’ descrita por Rosenfeld (1971). Tal organização da personalidade muitas vezes acaba se mostrando na análise em sonhos ou associações sobre gangues criminosas que controlam e intimidam as partes "sãs" ou saudáveis da personalidade, prometendo abrigo e alívio da ansiedade persecutória ou depressiva. As partes aparentemente saudáveis dessas estruturas complexas estão, no entanto, provavelmente envolvidas em relações de conluio e perversas dentro da estrutura patológica. (Ver CONTINÊNCIA: CONTINENTE-CONTIDO) O trabalho posterior de Steiner (1993) sobre 'refúgios psíquicos' amplia e desenvolve a idéia de organizações patológicas. Ele mostra como tais refúgios são onipresentes e podem assumir muitas formas, mas sempre existem para manter o equilíbrio psíquico diante de ansiedades incontroláveis.

IV. B. Desenvolvimentos na Tradição Independente

IV. Ba. Bollas: Objeto Transformacional Christopher Bollas (1987, p. 14) introduziu o termo "objeto transformacional" na esteira da noção winnicottiana de mãe ‘ambiente’, sugerindo que na interação precoce mãe- bebê "a mãe é menos significativa e identificável como um objeto do que como um processo". Antes que a mãe seja "personalizada para o bebê como um objeto inteiro" Bollas (1987) p. 28) argumenta, "ela tem funcionado como uma zona ou fonte de transformação". Assim, embora "ainda não totalmente identificável como um outro, a mãe é vivenciada como um processo de transformação, e essa característica da existência inicial perdura em certas formas de busca do objeto na vida adulta, quando o objeto é buscado por sua função de um significante de transformação." (1987, pág. 14) Bollas expande a compreensão psicanalítica das relações objetais, particularmente no que diz respeito ao que ele chama de "a integridade do objeto". "Achei bastante surpreendente", escreve Bollas (1992, p. 4; grifo no original), "que na teoria das relações objetais pouca atenção é dada à estrutura distinta do objeto, que geralmente é visto como um recipiente que contém as projeções do sujeito. Certamente, os objetos nos carregam. Mas, ironicamente, é precisamente porque eles sustentam nossas projeções que sua característica estrutural se torna ainda mais

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