Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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V. DESENVOLVIMENTOS ADICIONAIS E CONTEMPORÂNEOS NA AMÉRICA DO NORTE

V. A. 1950-1970

V. Aa. Estudos da Infância René Spitz (1945, 1965, 1972), estudando bebês institucionalizados, cunhou o termo "depressão anaclítica" para o impacto sobre os bebês da separação de longo prazo de seus cuidadores. Ele também foi o primeiro a notar a diferença entre os comportamentos do cuidador afetuoso e mecânico. Nessa visão, não foi apenas o efeito da separação prolongada, mas também o cuidado mecânico aos bebês em uma instituição, semelhante a uma "mãe morta", que efetuou a "depressão anaclítica". Spitz enfatizou o “segurar" afetuoso do bebê pelos cuidadores, o que promove uma rica comunicação afetiva tátil não-verbal entre o bebê e seu cuidador. Seguindo Bowlby (1969) na Inglaterra, Ainsworth (Ainsworth, Blehar, Waters and Wall, 1978) nos EUA desenvolveu a teoria do apego contemporânea como a correspondência comportamental de relações objetais internalizadas sob a influência do relacionamento mãe- bebê inicial (Diamond e Blatt, 2007). Ainsworth et al. (1978) definiram o apego como um vínculo afetivo entre o bebê e um cuidador (Blum, 2004), e categorizaram vários tipos de apego, permitindo diferenças altamente individualizadas ao longo de um continuum de apego seguro a inseguro (evitativo, ambivalente, desorganizado). A angústia do bebê foi inferida a partir da relação mãe-bebê global e não de uma experiência traumática específica. Essa tradição continuou dentro da orientação da Psicologia do Ego com Mahler (Mahler, Pine, Bergman, 1975) e várias orientações teóricas relacionais na pesquisa sobre a infância de Beebe (Beebe e Lachmann, 2005), e o trabalho do Boston Change Process Group (Stern et. al. 1998). V. Ab. Mahler Depois de Hartmann, a expansão mais influente do modelo pulsional, abrangendo novas dimensões do desenvolvimento psicológico, veio de Margaret Mahler. O interesse original de Mahler nas primeiras relações objetais da criança derivou de seu estudo de patologia grave em crianças - autismo e psicose simbiótica - onde ela notou uma extrema incapacidade de formar um relacionamento de cuidado (N.do T: nurturing no original) com os cuidadores (Mahler, Ross e DeFries, 1949; Mahler, 1952; Mahler e Gosliner, 1955). Isso levou ao delineamento de uma teoria do desenvolvimento infantil normal em que as relações objetais e o self eram vistos como conseqüências das vicissitudes instintivas. Seguindo Hartmann, "O problema da 'adaptação' em seu trabalho é especificamente interpretado em como chegar a um acordo com o ambiente humano" (Greenberg e Mitchell, 1983, p.272).

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