Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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continuar o processo de diferenciação. Este é o período durante o qual Mahler situa o real "nascimento psicológico" da criança. Com a locomoção ereta, os horizontes da criança se expandem e ela fica excitada à medida que o "mundo está a seus pés”. Na frase de Greenacre (1957), é o auge de seu "caso de amor com o mundo". É, como Mahler o conceitua, o ápice tanto do narcisismo (secundário) quanto do amor objetal (Mahler et al., 1975). Nesse ponto, também, a criança atinge "o auge de sua 'onipotência mágica' derivada de seu senso de compartilhar os poderes mágicos de sua mãe" (Fonagy, 2001, p.66). A subfase de Reaproximação de 15-18 a 24 meses traz consigo uma consciência da separação, ansiedade de separação e uma maior necessidade de estar com a mãe (Mahler et al, 1975). A criança que estava se tornando cada vez mais independente agora começa a perceber que é um peixe muito pequeno em um mar muito grande, o que traz consigo a perda do sentido ideal do self e o reaparecimento de uma espécie de ansiedade de separação. Para a criança, surge a percepção de que a mãe é, na verdade, uma pessoa separada que pode nem sempre estar disponível para ela. Isso traz a "Crise da Reaproximação", com duração aproximada de 18 a 24 meses. Segundo Mahler, a atitude da criança é afetivamente ambivalente, oscilando entre uma necessidade de agarrar-se à mãe e uma forte necessidade de separação. Este é o período no qual a cisão está no auge (Greenberg e Mitchell, 1983). É também o período durante o qual há funções autônomas do ego em rápida evolução, mais notavelmente destacadas pelos rápidos ganhos na linguagem e pelo surgimento do teste de realidade. As diferenças de gênero e a identidade de gênero estão se tornando conscientes, interagindo com o processo de diferenciação. Durante a Reaproximação, o declínio da onipotência infantil é compensado por identificações seletivas com a mãe competente, tolerante e afetuosa (Blum, 2004b). Mahler enfatizou a conquista da Constância Objetal (baseada na tolerância da ambivalência) e da Constância do Self como a subfase final da Separação-Individuação. Isso ocorre no terceiro ano de vida e é um importante marco de desenvolvimento. As duas principais tarefas desse período são o desenvolvimento de um conceito estável do self e de um conceito estável do outro, e elas são organizadas em torno de coparticipantes em todas as relações objetais da criança (Greenberg e Mitchell, 1983). Como resultado desses desenvolvimentos, a criança pode agora manter um senso de sua própria individualidade, bem como um senso do outro como uma presença interna, positivamente catexizada. Ela pode funcionar separadamente na ausência da mãe/outro, alcançando a capacidade de compreender mais plenamente a experiência separada do self e da mãe, sua mente separada e os interesses e intenções do outro. Como a criança já internalizou a benevolência e as funções reguladoras de sua mãe, ela agora pode tolerar mais facilmente separações, frustrações e decepções, e é mais capaz de autonomia, individuação, separação e independência. Mahler foi capaz de criar uma interface entre a teoria pulsional clássica e a teoria do desenvolvimento das relações objetais, usando o conceito de simbiose para se referir tanto a um relacionamento na realidade quanto a uma fantasia interna determinada pelo investimento libidinal (Greenberg e Mitchell, 1983). O uso de Mahler dos conceitos de Hartmann de um ambiente expectável médio (Hartmann, 1927 [1964) e de adaptação (Hartmann, 1939) "moveu o modelo pulsional em uma direção que implicitamente deu ao relacionamento com os outros

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