Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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um papel muito mais explicativo..." Greenberg e Mitchell, 1983, p.282). Para especificar o ‘ambiente expectável médio' Mahler referiu-se ao conceito de Winnicott (1960) da "mãe devota comum" (Mahler 1961; Mahler & Furer, 1968). Dessa forma, ela equiparou o ambiente inicial da criança com a pessoa específica da mãe. Em resumo, a teoria da Separação-Individuação inclui a mãe e o bebê reais, bem como os conceitos de internalização e representação interna. A teoria de Mahler correlaciona a observação psicanalítica com as transformações intrapsíquicas do desenvolvimento: "As mudanças intrapsíquicas podem incluir uma mudança nos limites do ego, a diferenciação das representações do self e do objeto, a coesão ou splitting dessas representações e a conquista da constância do self-objeto. Ambos participantes da díade devem ser considerados" (Blum, 2004b, p 551). Na modificação e reformulação contemporâneas propostas, Blum (2004b) integra descobertas de pesquisas de desenvolvimento posteriores (Stern 1985; Pine, 1986; Bergman, 1999; Gergely, 2000; Fonagy, 2000). Sua modificação envolve a fase simbiótica e a separação-individuação, com atenção especial à diferenciação e reaproximação. Ele salienta que "a diferenciação neonatal precede a emergência do self intrapsíquico e da representação objetal" (Blum, 2004b, p. 541) e que o bebê é pré-adaptado para "comunicação recíproca, interação e regulação que começa com o cuidado inicial e prossegue para um diálogo cheio de circuitos de retroalimentação (p. 541). Na reaproximação, destaca-se o papel central da linguagem (Blum, 2003). Embora atualmente marginalizado pela teoria do apego e outras teorias de relações de objeto, o conceito de Separação-Individuação de Mahler é uma importante contribuição para a compreensão do período pré-edipiano do desenvolvimento. (Ver PSICOLOGIA DO EGO) V. Ac. Erikson As contribuições de Erik Erikson (1950, 1956, 1968) para o estudo das primeiras relações de objeto e suas influências no desenvolvimento das estruturas do ego também formam uma ponte entre a teoria estrutural da Psicologia do Ego da década de 1950 e o estudo da clínica das vicissitudes das relações objetais. Erikson postulou a sucessão de introjeção, identificação e identidade do ego, que foi seguida em algumas das vertentes influentes da atual Escola Norteamericana das Relações de Objeto (Kernberg, 1977), embora não sem modificações. Erikson não diferenciava entre organizações do self e representações de objetos. Foi Jacobson (1964) quem esclareceu de forma importante a diferenciação entre as representações do self e do objeto nas primeiras introjeções e o desenvolvimento dessas estruturas. V. Ad. Jacobson Como Mahler, Edith Jacobson (1964) foi capaz de conciliar a ênfase de Freud no constitucional com a ênfase dos desenvolvimentistas no meio ambiente, propondo suas influências mútuas e contínuas ao longo do desenvolvimento. Ela descreveu o desenvolvimento

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