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do ego e do superego em conjunto com as representações do self e do objeto, dando grande ênfase ao papel do afeto. Suas contribuições foram cruciais para introduzir a conceituação de "imagens", ou representações do self e do outro como os principais determinantes do funcionamento mental (Fonagy, 2001). Ela acreditava que um bebê adquire representações de si mesmo e de objetos com valências boas (amorosas) ou ruins (agressivas) dependendo das experiências de gratificação ou frustração com a mãe. "Ela introduziu o termo representação para enfatizar que esse conceito se refere a experiência de impacto dos mundos interno e externo e que as representações estão sujeitas a distorção e modificação independentemente da realidade física" (Fonagy, 2001, p. 56). Conceitos de self eram vistos como estruturas complexas, incluindo "a representação intrapsíquica inconsciente, pré-consciente e consciente do self corporal e mental no sistema do ego" (Jacobson 1964, p 19). Em sua obra seminal, O Self e o Mundo dos Objetos (1964), Jacobson essencialmente revisou as idéias de Freud sobre o desenvolvimento da libido e da agressão e expandiu o impacto funcional dos impulsos. Seu objetivo era fundir a teoria relacional com a metapsicologia clássica, ou seja, alinhar o ponto de vista econômico com a fenomenologia da experiência humana, porque ela sentia que era essa experiência que destacava o papel das relações com os outros. Ela usou duas estratégias teóricas complementares para atingir seu objetivo. A primeira tinha um foco na experiência da criança de si mesma em seu ambiente – o que Sandler e Rosenblatt (1962) chamaram de “mundo representacional”. O mundo representacional da criança derivava de um substrato psicobiologico inato. Jacobson propôs que os impulsos instintivos não eram “dados” mas sim "potenciais inatos" que foram moldados tanto por fatores internos de maturação quanto por estímulos externos, particularmente no contexto de relacionamentos precoces que, por sua vez, moldaram o mundo representacional da criança. Essa abordagem biológica permitiu que ela mantivesse laços com modelos pulsionais/estruturais anteriores. Sua segunda abordagem teórica foi uma revisão dos próprios princípios econômicos levando à conclusão de que "a teoria da energia deve ser considerada numa maior sincronia com as vicissitudes das relações objetais" (Greenberg e Mitchell, 1983, p 306). Na visão de Jacobson, a experiência de prazer ou desprazer do bebê está no centro de seu relacionamento com a mãe (modelo pulsão/estrutura). Desde o início, a experiência é registrada em termos de como o bebê a sente. Ela postulou que o tom do sentimento das primeiras experiências de uma pessoa contribuiu para a consolidação da libido e da agressão e lançou as bases para as imagens do self e do objeto que determinam como finalmente nos sentimos em relação a nós mesmos e aos outros. Experiências frustrantes ou perturbadoras produzem imagens de uma mãe frustrada e retraída e um self frustrado com raiva, enquanto experiências mais positivas levam a uma imagem de uma mãe amorosa e generosa e um self feliz e satisfeito. A teoria de Jacobson, portanto, abordou a interação entre experiências reais e impulsos. Jacobson (1954) observou que no bebê, antes da formação das fronteiras self-outro, quando as primeiras imagens são mescladas em vez de unidades independentes distintas, no nível da representação mental a percepção do outro pelo bebê moldou diretamente a experiência do self. Nesse estado de fusão primitiva, os objetos se tornam partes internalizadas
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