Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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V. Bb. Ogden Thomas Ogden (1989) conseguiu trazer uma versão original da sensível integração das contribuições de Klein e Bion (PS<—>D). Ele estende o trabalho de Bick, Meltzer e Francis Tustin ao reconhecer um modo primitivo, pré-simbólico, dominado pelo sensorial, que ele chama de modo autista-contíguo: “Esse modo é uma organização psicológica primitiva operante desde o nascimento que gera a forma mais elementar da experiência humana. É dominada pelo sensório, em que o sentido mais rudimentar do eu self é construído no ritmo da sensação, particularmente na superfície da pele. É difícil captar em palavras. Essa modalidade reflete o ritmo das primeiras relações com a experiência de amamentar, de ser sustentado pelos braços da mãe. É uma relação da forma e a sensação de espaço fechado, de pulsação e a sensação de ritmo, de dureza e a sensação de borda, de limite. Sequências, simetrias, periodicidade, 'modelagem' pele a pele são exemplos de contiguidades que são os ingredientes a partir dos quais surgem os primórdios da auto-experiência rudimentar” (Ogden, 1989, pp.30-31). A contribuição central aqui é que a contiguidade das superfícies gera uma experiência de uma superfície sensorial, em vez de uma sensação de duas superfícies se unindo em oposição diferenciada ou fusão. V.Bc. Modelos relacionais Vários modelos relacionais no panorama conceitual norte-americano enfatizaram a subjetividade analítica, questões de gênero e sexualidade, trauma, desenvolvimento inicial e estados primitivos (Harris, 2011). Examinando o panorama, Harris afirma que "embora existam muitas vertentes, muitas influências e muitas figuras significativas, foi Mitchell (1988, 1993 a e b, 1997, 2000) ...o catalisador, o escritor e pensador... que lançou esse movimento" (p. 704). V. Bca. Jay Greenberg e Stephen Mitchell Em sua publicação "Object Relations in Psychoanalytic Theory" (1983), Greenberg e Mitchell argumentam que o ponto focal da psicanálise clínica sempre foi a relação do paciente com os outros. Como surgem essas relações? Como elas operam? Como elas são transformadas? Como as relações com os outros devem ser entendidas dentro da estrutura da teoria psicanalítica? Eles argumentam que houve duas soluções básicas para o problema de localizar relacionamentos dentro da teoria psicanalítica: o modelo pulsional, no qual os relacionamentos com os outros são gerados e moldados pela necessidade de gratificação pulsional; e vários modelos relacionais, nos quais as próprias relações são vistas como primárias e irredutíveis. Eles traçam as divergências e a interação entre os dois modelos, e as intrincadas estratégias adotadas pelos principais teóricos em seus esforços para se posicionarem em relação a esses modelos. Eles demonstram ainda que muitas das controvérsias

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