Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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3. Múltiplos estados do self: A metapsicologia relacional, refletindo uma preocupação com estados de identidade e alimentada por processos dissociativos de intensidade variável, é responsável por grande parte do trabalho diádico analítico relacional. ‘Hibridismo’, 'Multiplicidade', 'Mudança de estados próprios', 'cisões verticais' e 'dissociações' podem ser sinais de trauma, além de serem parte de modelos normativos da mente (Bromberg, 1998, 2006; Davies e Frawley, 1994). Nesse sentido, o interesse inicial de Ferenczi (1911, 1932) na comunicação inconsciente de experiências traumáticas, seus conceitos de identificação com o agressor e da criança sábia, continuam hoje através do foco no trauma e sua transmissão intergeracional na fala, no corpo e em outras formas de se relacionar. Alguns dos trabalhos relacionais contemporâneos sobre a corporalidade [embodiment] no contexto do apego problemático (Gentile, 2006; Anderson, 2009; Seligman, 2009; Corbett, 2009) e o trabalho sobre a vergonha resultante (Lombardi, 2008) são exemplos de direções contemporâneas nessa área. 4. Desenvolvimento, motivação, função emergente: Originalmente opondo-se ao que chamou de "viés desenvolvimentista" na teoria freudiana clássica, Mitchell, por sua vez, em sua elaboração da noção de Loewald da subjetividade humana como emergente dentro da matriz relacional, caracterizada "desde os primeiros momentos como um local de densidade primordial de onde emergem estados de objeto e subjetividade" (Harris, 2011, p.714), foi tornando-se cada vez mais orientado para o modelo do desenvolvimento. Stein apresentou um exemplo da abordagem de duas pessoas para a sexualidade emergente, —utilizando os conceitos de "implantação" e "excesso do outro" de Laplanche,— em sua conceituação de "sexualidade como excesso", resultante da interação entre o adulto e a criança (Stein, 2008). 5. Processo clínico marcado pela ênfase na ubiquidade da contratransferência: Seguindo os passos iniciais de Ferenczi (1911, 1932), as ideias de contratransferência de Heimann (1960) e o trabalho de desenvolvimento de Bion (1959) sobre Identificação Projetiva, a teoria clínica Relacional " opera como uma ... teoria dos sistemas radicais" (Harris, 2011); enfatiza as influências bidirecionais entre o par analítico. Autenticidade, honestidade, possivelmente revelação (Davies, 1994; Renik, 2007) dos enganos e erros do analista podem ser colocados em prática de várias maneiras, mas são a base da prática clínica relacional, assim como a 'vulnerabilidade do analista' e ‘impasse' (Aaron, 2006; Harris e Sinsheimer, 2008). Entre as muitas contribuições do pensamento relacional e das abordagens clínicas listadas acima, a controvérsia contemporânea envolve o grau em que a díade analítica é vista como uma co-construção a-histórica e, ao mesmo tempo, uma réplica de uma unidade mãe- bebê. (Ver CONFLITO, INTERSUBJETIVIDADE) V. Bd. Psicologia do Self: Self Object Os psicólogos do Self advertem que é preciso ser um pouco cauteloso com o conceito de "internalização", pois é uma figura de linguagem que não precisa e não deve ser tomada muito literalmente. Assim, quando se diz que a "Teoria das Relações de Objeto" se refere a uma construção gradual "de representações diádicas ou bipolares (imagens de si e de objetos)

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