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como reflexos da relação mãe-bebê original" (Kernberg, 1976, p 57) isto não deve necessariamente ser visto como indicativo de transposição da atividade no mundo para um palco de teatro dentro da cabeça onde réplicas em miniatura ou "representações" ou "imagens" estão reencenando o mundo exterior. A "internalização" é melhor vista como aplicável a conceitos que não precisam ter um significado físico ou geográfico. Arnold Goldberg (1992), editor da série anual "Progress in Self Psychology" e um dos principais contribuintes para a expansão da teoria de Heinz Kohut, exemplifica (2015a, comunicação oral com Eva Papiasvili): "Colocamos dinheiro no banco, estamos apaixonados ou em apuros, sem atribuir que os dólares estão fisicamente armazenados no prédio onde a transação ocorreu ou imaginar que 'amor' e 'problemas' são lugares. Essas são figuras de linguagem que de forma demasiado fácil se tornam concretas. Essa falta de clareza tem sido frequentemente replicada em nossa suposição de que a mente está de alguma forma situada dentro do cérebro que, por sua vez, está situado dentro do crânio; e assim, o processo de ter algo ou alguém em mente é apenas um ato de translocação, e isso é simples e prontamente realizado por uma representação”. Em nítido contraste com a sedução da mera transposição da vida de alguém em um drama minúsculo no cérebro está a teoria da mente estendida (Rowland, 2013). Na medida em que as teorias são mais bem pensadas como ferramentas úteis que podem ser empregadas quando necessário, em vez de ilustrativas de verdadeiros estados de coisas, a noção de mente estendida é atualmente empregada para alterar a maneira pela qual consideramos as relações objetais. Embora essa teoria da mente estendida tenha sido originalmente introduzida como aplicável à cognição, é fácil e rapidamente empregada na psicanálise em teorias envolvendo o self ou a pessoa. Em suma, afirma que a mente não deve ser pensada como confinada a um pequeno lugar dentro da cabeça, mas sim estendida para abranger pessoas e eventos no ambiente. Uma das melhores e mais fáceis maneiras de pensar sobre isso é através do fenômeno do "encarar". Experimentos mostraram (Sheldrake, 2013) que as pessoas são capazes de dizer quando outros estão olhando para elas sem poder confirmar isto visualmente. Claro, há uma infinidade de maneiras de pensar sobre como a mente alcança o mundo à sua volta e, de fato, essa é a maneira "normal" de as crianças pensarem sobre o mundo. No entanto, vemos a teoria da mente estendida em nossa prática psicanalítica diária na forma de certas configurações transferenciais particulares. Quando Heinz Kohut (1971) começou a formular suas idéias sobre a psicologia do self, ele notou que alguns pacientes desenvolveram transferências significativas nas quais ele se tornou um componente significativo do self de seus pacientes. Ele não era um objeto antigo que foi reativado por meio da regressão e que gozou de uma existência separada e distinta, mas sim uma parte reativada do self que experimentou o analista como um constituinte dessa pessoa ou self. Essas configurações de transferência poderiam ser categorizadas como espelhamento, ou idealização, ou transferências gemelares, e ainda eram vistas como momentos normais do desenvolvimento do self. Na medida em que eram essencialmente componentes ou partes do desenvolvimento do self de um paciente, eram estabelecidos como "self-objetos" em oposição a objetos separados e distintos. Eles demonstraram como a mente vai além do crânio para capturar os outros como parte de seu repertório expandido. Todos nós usamos os outros para
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