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o topográfico (Freud 1900), uma divisão em consciente, inconsciente e pré-consciente, cada qual com suas distintas regras de funcionamento; O segundo modelo Freudiano (1923, 1926), o modelo estrutural, divide o aparelho psíquico em três campos: id, ego e superego. Está implícito nas elaborações iniciais de Freud que o sujeito está um tanto consciente da pulsão como parte de si mesmo e que foi forçado a reprimi-la como uma defesa contra a natureza inaceitável (para o ego) dessa pulsão. O segundo modelo propõe uma situação muito mais ambígua, na qual mesmo em condições ideais de clara diferenciação interna do aparelho psíquico, parcelas significativas do ego e superego permanecem inconscientes e o id é preenchido com material que nunca se tornou consciente. Os escritos posteriores de Freud lidam com as implicações teóricas e técnicas dessas descobertas. No entanto, a afirmação de que ambos os modelos representam "uma pessoa" é defensável. Ambos os modelos de Freud descrevem a doença neurótica como uma mente em guerra consigo mesma em vez de em guerra com o mundo exterior. Já em "Estudos sobre a histeria" (Freud, 1893-1895) descreve mulheres que adoeceram depois de se tornarem sujeito de pensamentos "inaceitáveis", profundamente em desacordo com seus ideais morais ou orgulho. Nestas mulheres, e sem recorrer à ajuda externa a mobilização de uma operação defensiva interna colocou em quarentena o pensamento inaceitável. Essas mulheres foram capazes de representar o desejo proibido e igualmente - ainda que brevemente - capazes de reconhecê-lo como uma parte inaceitável de si mesmas. Além disso, sua defesa da repressão não destruiu essa representação. O caso de Lucy R. é exemplar: ela reconheceu sob o questionamento de Freud que sabia que estava apaixonada por seu patrão, mas "Não sabia … ou melhor, não queria saber. Queria tirar isso de minha cabeça e não pensar mais no assunto, e creio que ultimamente tenho conseguido” (Freud, (1893-1895) Estudos Sobre a Histeria, Obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Edição Standard brasileira, 3a. Edição, Rio de Janeiro, Imago, 1995, p. 144). Quando Freud ofereceu suas interpretações, Lucy R. foi capaz de aceitá-las como relatos razoáveis de um conflito interno e distinguir fantasia ou realização de desejo da realidade externa. O "terceiro modelo" descreve um estado de coisas muito diferente na pré-história do indivíduo antes que seu aparelho psíquico alcance a sofisticação da mente freudiana descrita em "A Interpretação dos Sonhos" (Freud 1900). De acordo com o terceiro modelo, a mente não é sempre capaz de funcionar dentro de seu próprio círculo de representações e julgá-las como tal. Para começar, depende do nebenmensch (Freud, (1950 [1895]) — o outro próximo — garantir que a psique não seja dominada por excitações internas e externas e, além disso, depende da confiabilidade, da reverie e da resposta moderada do cuidador para aprender gradualmente a distinguir a fantasia da realidade. A modulação da estimulação do cuidador, assumindo o papel de barreira de estímulos, permite que o bebê finalmente reconheça os impulsos libidinais e agressivos como partes não traumáticas de si mesmo. Assim, o terceiro modelo descreve um tempo na vida de cada indivíduo antes do desenvolvimento dos outros dois. O terceiro modelo foi teoricamente descoberto por último, mas descreve uma situação que é a primeira na vida do indivíduo. O “Homem dos Lobos” (Freud,1918) revela um tipo de funcionamento mental bastante diferente das sensações subjetivas de "pudim queimado" de Lucy R. Na alucinação de perda de seu dedo, o Homem dos Lobos não reconhece o impulso
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