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Pichon Riviere (1965/1971) insistiu na íntima conexão entre psicologia individual e social. Sua conceituação de vínculos enfatizou o significado do grupo social na constituição e preservação da identidade pessoal, bem como o importante papel do intrapsíquico – fantasia inconsciente e psicologia pessoal, na formação da cultura no entorno social. Ele sustentou que a psicologia social deveria ser vista como psicanalítica, enquanto a própria psicanálise deve ser entendida como uma psicologia social. Para este autor, a personalidade e identidade em desenvolvimento, o self e o senso de self, foram constituídos mais pelo mundo de interação [experiência interpessoal, intersubjetiva, relacional] do que [simplesmente] por excessos de impulsos inatos, mas também que os aspectos inconscientes do vínculo dentro do paciente modificam o significado de todas as interações. As ideias de Pichon foram um poderoso precursor da formulação dos Baranger da teoria do campo analítico e de vários movimentos e elaborações da dimensão intersubjetiva do processo analítico, o papel positivo da contratransferência do analista, uma incipiente teoria do ato e ação na cura e muitas outras formulações que deram à psicanálise latino americana contemporânea seu sabor particular. Ele também ampliou a conceituação do Complexo de Édipo para incluir todas as relações triangulares, começando com a maneira como uma terceira pessoa na mente da mãe modifica o vínculo entre mãe e filho, e continuando com o princípio geral de que a presença de uma terceira pessoa sempre modifica os vínculos entre duas pessoas. Desta forma, o indivíduo é, desde o início, formado em uma estrutura triádica, de forma que o relacionamento inicial é bicorporal e tripessoal. Assim, enquanto o relacionamento inicial é aparentemente diádico, o terceiro funciona de forma permanente e desde o início na mente da mãe. Bernardi considera que a contribuição mais importante de Pichon, assim como de Bleger, em termos de história das ideias na América Latina, é que o objeto também é um sujeito e que há uma relação dialética entre eles, um ponto não facilmente aceito por muitos outros autores kleinianos contemporâneos. Nesse sentido, ampliando o conceito de relações objetais, Pichon Riviere descreveu o que ele chamou de “ vinculo”, uma estrutura complexa na qual sujeito e objeto estão sempre interagindo mutuamente em processos de comunicação e aprendizagem. VI. Ag. Jorge García Badaracco: Objeto Enlouquecedor Garcia Badaracco, um dos seguidores de Pichon, refere-se à ideia desse de que no mundo interno dos pacientes psicóticos existem objetos internos (múltiplas “imagos”) articulados através de um processo progressivo de internalização e que nesse mundo interno é possível reconhecer a dinâmica das reconstruções da realidade externa. Badaracco continuou trabalhando nessas ideias junto com seu próprio conceito de “ objeto enlouquecedor”. “Objeto enlouquecedor" ( “ Maddening Object ”), um conceito apresentado pela primeira vez no Congresso IPA em Hamburgo em 1985, é um objeto que inconscientemente induz a pessoa a se comportar de forma sádica e maligna. Isso simultaneamente faz a pessoa
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