Dicionário Enciclopédico de Psicanálise da IPA

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interpretação ignora a corporeidade e tenta vincular diretamente fenômenos mentais com objetos internos não é eficaz, porque deixa a defesa básica intocada.

VI. Al. Brasil: Teorias das Relações de Objeto Ampliadas: Ruggero Levy e Raul Hartke – Dimensão Intersubjetiva e Trauma Ruggero Levy (2014) estudou a evolução do conceito de objeto, de Freud a Klein, Bion, Winnicott e Meltzer. Ele conclui que as mudanças nos conceitos de objeto e relações objetais ocorreram por causa das contínuas expansões da metapsicologia psicanalítica para além de suas dimensões clássicas (Meltzer, 1984). Inicialmente, em Klein, a expansão da metapsicologia incluiu a dimensão da geografia dos espaços mentais. Seu notável aprofundamento na compreensão dos processos projetivos e introjetivos que constituem o mundo interno do bebê, possibilitaram apreciar o papel de destaque do objeto na construção da subjetividade do sujeito. Mais tarde, com contribuições dos Bionianos, uma dimensão epistemológica adicional foi incorporada à metapsicologia psicanalítica (Meltzer, 1984). Para entender o funcionamento mental, tornou-se necessário compreender se esse permite o aprender através da experiência. A noção de um objeto continente/transformador aparece através de sua função alfa na subjetividade do sujeito. Dessa forma, acrescenta significado e transforma as emoções sem nome do bebê. Para Levy, Bion considera que todo conhecimento novo, por meio da expansão da rede simbólica, ocorre no vínculo-K (conhecimento), ao qual ele quase concede o status de uma pulsão. Isto leva a conhecer e aprender com a experiência emocional, promovendo assim o crescimento mental. Se inicialmente a ideia central, sobre a qual se compreendia a construção do aparelho psíquico, estava no vetor pulsão/ na experiência da satisfação / na memória / no desejo /na representação psíquica, houve um desvio e a ênfase passou para a relação sujeito-objeto. A partir de Klein, a presença do outro, do objeto, de sua mente, adquire proeminência. Os avanços de Bion, Winnicott e Meltzer levaram à ideia de que a presença do outro e sua mente provocam uma experiência emocional. A mente do sujeito é afetada pelas proto emoções, pelas experiências emocionais e sensoriais do encontro com o objeto e sensações provenientes de excitações somáticas que precisam ser simbolizadas. Este modelo passa a considerar o objeto como o fundador/transformador da subjetividade do sujeito, e isso tem profundas implicações para a técnica psicanalítica, que incorpora as noções de situação psicanalítica como um campo dinâmico bipessoal. Levy destaca que para os teóricos contemporâneos de campo como Ferro (1995), o vértice da escuta que resulta da confluência dos conceitos de Bion e Baranger, é apenas um vértice de escuta, e acrescenta que não é mais possível escutar o paciente sem levar em consideração o impacto sobre os objetos e os objetos sobre ele. A experiência emocional estruturante que ocorre entre o sujeito e o objeto, em ambas as direções da relação, não pode mais ser deixada de lado.

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