alimentar
N.97
O reconhecimento internacional do azeite português tem sido reforçado por distinções em concursos de prestígio, como o prémio Mário Solinas do Conselho Oleícola Internacional. Este reconhecimento contribui para reforçar o potencial da marca Portugal enquanto origem de azeites premium , à semelhança do que aconteceu nas últimas décadas com o vinho
da importância de definir uma estratégia integrada para o azeite português. Ao mesmo tempo, o Espo- rão identifica várias oportunidades para consolidar esse posicionamento, nomeadamente através da educação do consumidor, da criação de uma marca umbrela, do reforço da exportação e do apoio finan - ceiro à presença em feiras internacionais. A ativação da gastronomia como plataforma de comunicação e a valorização das variedades autóctones surgem também como caminhos relevantes para afirmar a identidade e a singularidade do azeite português nos mercados globais. O sector olha, assim, para a próxima década com ambição. “Imaginamos o sector do azeite português mais sustentável, eficiente e tecnologicamente avançado, em que esperamos ter consumidores cada vez mais informa- dos, uma tendência que já vemos hoje” , vaticina a Olivei- ra da Serra. “Acreditamos que, em 2030, Portugal conti- nuará a afirmar-se como origem de qualidade reconhecida internacionalmente, num cenário de inovação contínua e em contante crescimento, marcado por novos formatos, usos e segmentos de consumo” , conclui a mesma fonte. O azeite português continua a viver uma realidade dual. Uma parte significativa da produção é exportada a granel, sobretudo para Espanha, onde é posteriormente reembalada. Ao mesmo tempo, cresce a exportação de azeite engarrafado e de maior valor acrescentado
e fazê-lo chegar ao consumidor de uma forma impactante para o seu dia a dia.” Ao nível de produto, a Oliveira da Serra destaca o doseador GIRA, que reduz o desperdício alimen- tar ao permitir que o consumidor escolha o fluxo de azeite a utilizar. E introduziu também novas solu- ções de embalagem. “Lançámos também a nossa gar - rafa 100%RPET – que reduz significativamente o uso de novos recursos – sem rótulo frontal e com um rótulo dorsal diminuído em 70%.” Uma história antiga que entra numa nova era Entre inovação agrícola, sustentabilidade e storytell- ing de origem, o azeite português procura, assim, afirmar-se definitivamente como produto de valor. O futuro não será decidido apenas nos campos onde crescem as oliveiras, mas também nas garrafas que chegam às mesas do mundo inteiro, nas histórias que os produtores contam sobre o seu produto e na forma como os consumidores aprendem a reconhecê-lo. Mas afirmar a “marca Portugal” no segmento dos azeites premium implica enfrentar alguns desafios estruturais e também aproveitar um conjunto de oportunidades estratégicas. Segundo o Esporão, entre os principais obstáculos, destaca-se a neces- sidade de reforçar a notoriedade e a consideração internacional da marca-país, bem como de dar maior projeção aos azeites de origem e qualidade. A escala ainda relativamente limitada face a gran- des produtores internacionais e a necessidade de um maior investimento público em promoção são igualmente apontadas como fatores críticos, a par
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