alimentar
N.97
Foi em 2016 que a Casa Relvas adicionou o olival ao seu portefólio agrícola, até então dominado pelo vi- nho. Quase a completar uma década dessa incursão pela produção de azeite, possui cerca de 550 hecta- res dedicados em dois núcleos, um no Redondo e outro na Vidigueira. É neste – mais concretamente, na Herdade dos Pisões – que se localiza também o investimento que completa o ciclo: o lagar, cons- truído em 2022 e submetido, entretanto, a três in- tervenções que permitiram aumentar a sua capaci- dade para 25 milhões de quilogramas de azeitona. António Relvas, que, com o irmão Alexandre, dá continuidade ao legado da casa agrícola familiar fundada em 1997, é o anfitrião de uma visita aos 180 hectares de olival plantados em 2018 e em que reinam, quase em exclusivo, a azeitona arbequina e a argosana, duas variedades espanholas pela ca- pacidade de adaptação ao ecossistema alentejano. A propósito, o gestor salienta que Espanha – quer a nível do Estado, quer das empresas – investiu sig- nificativamente no estudo das variedades locais, ao contrário de Portugal: “Os espanhóis investigaram e perceberam que estas são as melhores. E nós ficámos atrás na corrida, não houve desenvolvimento das nossas variedades.” A Casa Relvas procedeu a algumas experiências, envolvendo cruzamentos. Mas António Relvas re- conhece que algumas não correram bem, tendo-se verificado, nomeadamente, que eram mais suscetí - veis a doenças ou que exibiam grande irregularida- de na produção. Ainda assim, a casa agrícola man- tém algumas variedades nacionais em pequenas áreas de olival tradicional. Mas quando o tema é produzir em quantidade, não há alternativa às variedades que vieram do ou- tro lado da fronteira. São azeitonas adequadas para um sector modernizado. E se, no início da sua in- trodução, se receava que durassem pouco tempo, hoje verifica-se que apresentam uma longevidade que supera os 20 anos. Mecanização, a outra face da eficiência E são elas, portanto, as senhoras dos hectares da Herdade dos Pisões, testemunhas de uma aposta no olival em sebe e, por consequência, na mecaniza-
ção. António Relvas explica esta opção, identifican - do uma mão cheia de razões: “Além da mecanização, o olival em sebe permite uma maior produção e uma uti - lização mais eficiente dos recursos, seja do solo, seja dos produtos fitossanitários, seja ainda da água. Consegui - mos produzir mais com menos.” Há outra razão não menos relevante, sobretudo para o produto final: é que, graças às máquinas, a colheita é mais rápida, a azeitona chega mais fres- ca ao lagar. Afinal, se a colheita fosse manual, para carregar um reboque seria preciso um dia de traba- lho de dez a 15 pessoas. “A partir do momento em que é colhida, a azeitona começa a perder qualidades, pelo que, quanto mais cedo se transformar em azeite, me- lhor” , indica, lembrando, ainda, que quanto mais verde é a azeitona, melhor a qualidade do azeite. “ Estamos habituados à galega, mas pode ter mais acidez e passar facilmente de virgem extra para virgem, além de que, quando é mais madura, pode incorporar alguns de- feitos” , reforça. O gestor convida a olhar para lá da mecaniza- ção e a colocar o foco na eficiência da produção. E avança com números: um olival em sebe, o equiva- lente ao super intensivo, produz, em média, dois mil quilos de azeite por hectare, quantidade que desce para os 1.500 no olival em copa (a designação atual para olival intensivo) e que, no olival tradicio- nal, cai a pique para cerca de 200 quilos de azeite. Há outros números: um olival em copa acolhe 500 plantas por hectare, valor que sobe para as 1.500 a duas mil no olival em sebe. Há outras contas nesta equação: no olival em sebe a colheita é muito mais barata – entre os 400 e os 500 euros por hectare, dis- tantes dos 1.200 a dois mil euros por hectare que se verificam no olival em copa. Não obstante a casa agrícola ter algumas variedades em ensaios, ainda não existe alternativa a que as espanholas deixem de ser as primeiras escolhas. E com mérito, porque, muito embora tenham sido os espanhóis a desenvolver a tecnologia, é Portugal que é reconhecido, a nível mundial, como o país que melhor trabalha o olival e os lagares
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