alimentar
N.97
É Henrique Herculano, diretor executivo do la- gar, o porta-voz deste caminho de crescimento, em nome do qual, só nos últimos três anos, sofreu três ampliações. De uma linha de limpeza e três de ex- tração passou a duas de limpeza – uma das quais re- formulada para o dobro da capacidade – e a sete de extração. Entre todas, pode processar cerca de mil toneladas de azeitona por hora. De novo, os núme- ros são a prova do negócio: o lagar tem capacidade para receber entre 700 e 800 toneladas de azeitona por dia, no pico da campanha (que decorre entre outubro e dezembro); para limpar 150 toneladas por hora e para processar cerca de mil toneladas por dia (entre todas as linhas de extração). Já na adega, a capacidade de armazenamento aumentou das 2.600 toneladas de azeite iniciais para as atuais quatro mil toneladas, sendo que na última campa- nha acolheu 3.500 toneladas. A propósito, o responsável dá conta de que o la- gar foi construído com o pressuposto de ser indús- tria 4.0, isto é, com todos os processos da operação automatizados, nomeadamente, sensores que reco- lhem a informação que vai desembocar no proces- so de decisão – de questões técnicas como o caudal dos decanters , a velocidade do tambor ou o tempo de batimento. “Em rigor, para ser totalmente 4.0, a decisão também devia ser automatizada, mas trabalhamos com matéria-prima biológica, viva, que muda muito, pelo que é difícil ter regras infalíveis” , enquadra, para justi- ficar a relevância do fator humano. Henrique Herculano ergue também a bandeira da sustentabilidade. É afirmativo na resposta de que no lagar não há desperdício, mas, sim, subpro- dutos. Assim, as folhas são encaminhadas para bio- massa e compostagem; o bagaço segue para valori- zação na respetiva indústria ou para compostagem – sendo que a propriedade possui um pátio de com- postagem próprio, cuja matéria-prima é reaplicada na vinha e no olival. Além disso, o caroço da azeito- na é usado para alimentar as caldeiras: por ser rico em lignina, celulose e hemicelulose, é facilmente transformado em energia através de combustão. Acresce que os mais de 500 painéis solares que co- brem o telhado do lagar asseguram 30% a 40% do consumo energético anual – um contributo que po- deria ser maior não fora o facto de o lagar funcio- nar essencialmente no inverno, quando há menos horas de sol por dia. Mas são as contingências da produção de azeite. Que, na Casa Relvas, ganha for- ma em três marcas: Segredos de São Miguel, ART. TERRA e Casa Relvas.
A Casa Relvas recebeu, em dezembro último, o Certificado PSA n.1, da OLIVUM – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal. Trata-se de uma certificação independente no âmbito do Programa de Sustentabilidade do Azeite, que tem vindo a ser desenvolvido desde 2022. A certificação assenta num referencial composto por 98 critérios distribuídos por 26 capítulos, avaliando de forma integrada as dimensões ambiental, social e económica da produção de azeite
A aposta na olivicultura materializou-se, em 2002, num lagar que começou por ser pensado para a produção própria, mas que rapidamente enveredou pela prestação de serviços. Nesse ano inaugural, processou cinco mil toneladas de azeitona, tendo quadruplicado esse volume em 2024 e alcançando as 23 mil toneladas na campanha de 2025
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