entrevista
N.97
O início da história prende-se com os vinhos da Quinta de Vale de Fornos, são 50 hectares de vinha no Tejo, e que vinificávamos numa adega junto às Cal - das da Rainha. No início da pandemia, o nosso enólogo António Ventura diz-nos que o proprietário pretendia usar a adega para os seus próprios vinhos e que teríamos de a deixar. Ora, encontrar uma nova adega naquelas circunstâncias iria revelar-se complicado, pelo que decidi ir falar com o proprietário, que era o António Mendes Lopes, precisamente o dono da Vidigal Wines. Lembro-me bem dessa conversa, nós os dois de máscara, no exterior. A dado momento, ele lança para o ar a ideia de vender a empresa, porque enfrenta alguns problemas de saúde e não tem herdeiros. Eu, na brincadeira, mas com um daqueles feelings empresariais, disse-lhe para me enviar uma proposta. E, ao fim de três ou quatro dias, assim aconteceu, enviou-me um anúncio colocado num jornal sueco (ele já tinha o negócio à venda, mas não se sabia). Pensei que era muito caro, mas que, olhando para tudo o que iríamos gastar nos anos seguintes para criarmos uma área de exploração à séria, poderia valer a pena. Fizemos as nossas contas e decidimos negociar a Vidigal, acabando por, em 2021, comprar a parte dele e dos sócios noruegueses. Foi claramente a visão de que precisávamos para ir para o mercado de exportação, a Vidigal era o nosso melhor veículo. Estamos a falar de capitais próprios ou de financiamento na banca? Estamos a falar de um investimento de oito milhões de euros em que 70% foi ban- ca. A banca acreditou no projeto, houve um período negocial, mas correu bem. Estes quatro anos são suficientes para provar que a decisão foi acertada? Tínhamos definido sete ou oito anos para retorno do capital, mas foi feito em três, quatro anos. O investimento está pago. Em consequência, a internacionalização disparou…. Sim, pensando só no negócio dos vinhos, começámos em 2008 com 500 mil euros de faturação e fechámos 2025 com 53 milhões, o que mostra bem a capacidade de venda e de negócio do grupo nestes 17 anos. É evidente que, agora, precisamos também de uma área de marketing muito forte, mas sempre fomos uma empresa de vendas, em que a enologia desenha os vinhos segundo o feedback dos comerciais sobre o que necessitam para vender.
GC MB
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