Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

“Crescemos muito rápido. E, neste momento, precisamos de consolidar o que fizemos bem e de investir na eficiência produtiva. Mas claramente que o caminho é continuar este crescimento em termos de exportação. O passo seguinte é sermos uma marca mais sólida e conceituada”

Essa postura é raramente assumida no mercado… Nós assumimos que somos assim. Claro que o vinho que fazemos é muito im- portante, mas a forma como o embalamos e o vendemos é muito mais impor- tante do que a forma como o fazemos. Digo-o em todo o lado. E causa estranheza, acima de tudo, porque as pessoas não querem assumir os seus falhanços. Se fizer uma pesquisa dos grandes investimentos que houve no Alentejo nos últimos anos, e houve muitos, vai ver que muita gente fora do sector decidiu comprar herdades. E, se tivesse os dados todos, ia chegar à conclusão de que todos eles investiram muitos milhões de euros em vinha e em adega, mas deixaram zero euros para o marketing e para as vendas. Porque pensavam que as pessoas lhes iam bater à porta e comprar o vinho. E esse feedback que a enologia recebe das vendas já tem feito arrepiar caminho? Completamente. Os nossos vinhos, hoje, são desenhados em conjunto sempre entre a enologia e as vendas. Sempre. Não há vinho nenhum que seja a enologia a definir que tem um vinho que é preciso vender. São sempre as vendas que pedem um vinho, porque têm clientes a quem vender. E todas as nossas marcas são criadas assim. Trimestralmente, fazemos uma prova com os vinhos que mais vendem no mundo em termos de grande distribuição. Mandamos vir os vinhos que mais vendem em Inglaterra, em França, nos Estados Unidos. E provamo-los, nor- malmente em prova cega, para não haver a influência das marcas nem da ori - gem. E, depois, comentamos os perfis que provamos. Isto faz-nos arrepiar ca - minho, porque percebemos quais são os perfis de vinho que vendem no mundo e, muitas vezes, não estamos a fazer nenhum igual. O que é que temos de fazer? É adequar os nossos perfis. Não quer dizer que tenham de ser iguais, porque não faz sentido. Um consumidor que compra “Portugal” não está à espera de encontrar exatamente o mesmo quando compra um Shiraz da Austrália. Mas não pode andar muito longe. Portanto, a maior parte dos nossos vinhos são claramente desenhados com régua e lápis com base nas provas que fazemos das tendências mundiais. Mas os vinhos que são campeões no mercado externo já existiam antes de in- tegrarem o portefólio da Abegoaria... É verdade que já existiam, mas temo-los desenvolvido muito. O Porta 6 já au- mentou as vendas em 30%, desde que está connosco. E o Júlia Florista só era um referencial no Canadá, mas agora também o é no Brasil e no Canadá, está em Israel e na Rússia com um bom desempenho, não obstante as limitações do que podemos exportar. Eram, de facto, as duas marcas mais fortes na expor- tação e o nosso objetivo foi muito claro: torná-las ainda mais fortes para que possam levar outras atrás. No mercado nacional, as nossas marcas principais são Piteira, Abelharuco, Granja Amareleja e Portal de São Brás. São as que mais vendem em Portugal. Na exportação, a ambição é crescer, mas há margem para isso? Há, o país é muito pequenino a exportar, faz mil milhões de euros de exporta- ção de vinhos, já incluindo os do Porto. Espanha, de que se diz que os vinhos são maus, exporta cinco milhões. Por isso, sim, há mercado, há espaço para continuarmos a crescer na exportação. Temos de continuar a fazer este tra-

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