entrevista
N.97
balho, de adequar o nosso marketing e os nossos perfis de vinhos àquilo que o mundo quer beber. Mas a estratégia deve ser empresa a empresa ou necessitamos de uma abor- dagem global? Precisávamos de cinco, dez empresas de grande dimensão, até maiores do que nós, que tenham este perfil de grandes empresas mundiais. Por exemplo, neste momento, a maior empresa do mundo de vinhos é americana, a Gallo, e, se calhar, menos de 20% dos vinhos que vende são americanos. O que é que fez? Começou a desenhar vinhos para o consumidor do mundo: importa a granel do Chile ou da Argentina, por exemplo, e engarrafa nos Estados Unidos com a sua marca. Um pouco à imagem da Coca-Cola, a Gallo tenta criar produtos globais. Nós temos de pensar para lá da fronteira. Não podemos trabalhar para o nosso bairro. Ou podemos, mas temos de ver como é que economicamente é viável. Posso ter o melhor pão da minha aldeia, mas, se for só a minha aldeia a comprá-lo, não tenho grande negócio. Porque na aldeia ao lado acontece o mesmo. Só há dois caminhos: ou se cresce ao ritmo da aldeia, subindo o preço todos os dias, porque os consumidores acham que é o melhor pão do mundo, ou se cria um pão que todas as aldeias comprem, o que, por competitividade, acaba por matar todos os outros. A propósito, os vinhos portugueses são ou não competitivos nos mercados externos? Claro que somos competitivos. A ideia de que não somos competitivos é uma falá- cia que, mais uma vez, criámos para justificar o nosso mau desempenho na expor - tação. Neste momento, somos competitivos contra qualquer produtor no mundo. Não é pelo preço que perdemos. Perdemos porque nos falta imagem de país e de marca. E, como não temos isso, andamos a vender o vinho ao preço que os espanhóis vendem, os chilenos e os argentinos vendem. E isso dá para sobrevi- ver? Possivelmente não. Dou, muitas vezes, este exemplo. Quando é que Portugal deu um salto no turismo? Há dez ou 15 anos. O que é que mudou nessa altura? Andava-se a fazer campanhas caríssimas na Europa a promover Portugal como destino. O que é que a seguir acontecia? As pessoas queriam vir para Portugal e não tinham aviões. O que é que mudou nessa altura? O Turismo de Portugal, e bem, decidiu subsidiar rotas, para as companhias aéreas colocarem mais aviões em Faro, no Porto e em Lisboa. É o que temos de fazer com o vinho. Temos de ganhar prateleiras no Lidl, no Aldi, na Tesco. Temos de comprar espaço nos canais de distribuição. É o suficiente para Portugal descolar. Se é sexy ? Não é. É mais sexy fazer campanhas e provas em Nova Iorque ou no Japão, mas custa uma fortuna a Portugal e não traz vendas. Voltemos às vendas. Porquê o foco na grande distribuição? Neste momento, 70% da faturação e, se calhar, 80% do volume faz-se na grande distribuição e, na altura em que iniciámos a nossa atividade, já não era muito diferente. Para quem estava com uma cooperativa falida, com um milhão de
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“Neste momento, o mercado em que temos mais oportunidade é o dos Estados Unidos, mesmo com o problema das tarifas. Ainda só vendemos lá o Porta 6, pelo que há todo um portefólio para lançar. É a grande oportunidade que temos para crescer uns milhões de euros de faturação nos próximos anos”
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