Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

Não foram, porém, escolhas sem ciência. Pedro Cavaleiro destaca que era essencial encontrar castas que se adaptassem bem ao território, descartando, deste modo, as mais sensíveis à humidade. E garan- tindo que convergiam para o perfil de vinho único que queriam produzir: “Chegámos a ter plantadas Fer - não Pires e Verdelho, que estão amplamente dissemina - das pelo território nacional, mas sentimos que, aqui, não acrescentavam ao fator diferenciador da Vicentino, que é a capacidade de transportar quem prova os nossos vinhos para esta zona” , explica. “Procurámos castas em que essa sensação fosse mais intensa” , afirma. “O que temos nos nossos vinhos, efetivamente, existe porque estamos aqui. Não porque a enologia é feita de uma maneira ou de ou - tra. A sensação de frescura, a sensação de mineralidade, a acidez alta são tudo características que muitos projetos procuram e que têm de ser introduzidas analogicamente, digamos assim. Mas aqui temos a felicidade, diria eu, de as ter de forma natural. Portanto, o estilo de vinho Vicentino é um e nunca poderá deixar de ser este” , reforça. É, reconhecidamente, um perfil diferente do tra - dicional alentejano. Nada que desencoraje, antes pelo contrário: “As pessoas procuram exatamente este Alentejo, procuram um vinho mais fresco, com menos ál- cool e mais acidez. E, nos nossos vinhos, estas caracterís - ticas são muito mais naturais.” São, porventura, traços mais óbvios nos brancos do que nos tintos, mas, tam- bém nestes, não estão presentes os taninos, o calor e o álcool que definem a maioria dos vinhos do Alen - tejo. E, mais uma vez, a sorte dá uma ajuda, permi- tindo que os Vicentino correspondam à tendência de consumo de vinhos mais leves, com menos teor alcoólico. “Acabamos por chegar a essa tendência natu- ralmente” , nota.

Cinco gamas

São cinco as gamas com a chancela Vicentino: Poente – dois vinhos (um branco e um tinto) que combinam castas que refletem a harmo- nia de contrastes, desde logo entre o Alentejo e o Atlântico, a força e a suavidade, o calor e a frescura; Nascente – focada na expressão única de cada casta, é constituída por seis monovarie- tais – um Sauvignon Blanc, um Alvarinho e um Arinto, nos brancos, e um Syrah, um Touriga Nacional e um Merlot, nos tintos; Neblina – evocando mistério e complexidade, como a neblina que lhe dá o nome, vive em dois reservas – um branco e um tinto; Luar – coloca em evidência o terroir da costa alentejana, que permite evidenciar o melhor das castas Pinot Noir, de que são engarrafa- dos um tinto e um rosé, e Chardonnay, de que se faz o rosé. O espumante La Mer é a mais recente adição ao portefólio; Naked – composta por um branco, um rosé e um tinto, caracteriza-se por vinhos puros e descomplicados, sem madeira.

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