GRANDE CONSUMO
Não foram, porém, escolhas sem ciência. Pedro Cavaleiro destaca que era essencial encontrar castas que se adaptassem bem ao território, descartando, deste modo, as mais sensíveis à humidade. E garan- tindo que convergiam para o perfil de vinho único que queriam produzir: “Chegámos a ter plantadas Fer - não Pires e Verdelho, que estão amplamente dissemina - das pelo território nacional, mas sentimos que, aqui, não acrescentavam ao fator diferenciador da Vicentino, que é a capacidade de transportar quem prova os nossos vinhos para esta zona” , explica. “Procurámos castas em que essa sensação fosse mais intensa” , afirma. “O que temos nos nossos vinhos, efetivamente, existe porque estamos aqui. Não porque a enologia é feita de uma maneira ou de ou - tra. A sensação de frescura, a sensação de mineralidade, a acidez alta são tudo características que muitos projetos procuram e que têm de ser introduzidas analogicamente, digamos assim. Mas aqui temos a felicidade, diria eu, de as ter de forma natural. Portanto, o estilo de vinho Vicentino é um e nunca poderá deixar de ser este” , reforça. É, reconhecidamente, um perfil diferente do tra - dicional alentejano. Nada que desencoraje, antes pelo contrário: “As pessoas procuram exatamente este Alentejo, procuram um vinho mais fresco, com menos ál- cool e mais acidez. E, nos nossos vinhos, estas caracterís - ticas são muito mais naturais.” São, porventura, traços mais óbvios nos brancos do que nos tintos, mas, tam- bém nestes, não estão presentes os taninos, o calor e o álcool que definem a maioria dos vinhos do Alen - tejo. E, mais uma vez, a sorte dá uma ajuda, permi- tindo que os Vicentino correspondam à tendência de consumo de vinhos mais leves, com menos teor alcoólico. “Acabamos por chegar a essa tendência natu- ralmente” , nota.
Cinco gamas
São cinco as gamas com a chancela Vicentino: Poente – dois vinhos (um branco e um tinto) que combinam castas que refletem a harmo- nia de contrastes, desde logo entre o Alentejo e o Atlântico, a força e a suavidade, o calor e a frescura; Nascente – focada na expressão única de cada casta, é constituída por seis monovarie- tais – um Sauvignon Blanc, um Alvarinho e um Arinto, nos brancos, e um Syrah, um Touriga Nacional e um Merlot, nos tintos; Neblina – evocando mistério e complexidade, como a neblina que lhe dá o nome, vive em dois reservas – um branco e um tinto; Luar – coloca em evidência o terroir da costa alentejana, que permite evidenciar o melhor das castas Pinot Noir, de que são engarrafa- dos um tinto e um rosé, e Chardonnay, de que se faz o rosé. O espumante La Mer é a mais recente adição ao portefólio; Naked – composta por um branco, um rosé e um tinto, caracteriza-se por vinhos puros e descomplicados, sem madeira.
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