GRANDE CONSUMO
Com adega própria, o caminho é outro: é um caminho mais próximo da produção, que permite, nomeadamente, fazer pequenas quantidades de vinhos específicos para clientes. Permite, igualmente, abrir a outros produtores da zona. “Apesar de a adega ter uma dimensão que ultrapassa as necessidades do projeto Vicentino, tem como objetivo o nosso crescimento, mas também apoiar outros produtores. No fundo, gostávamos de ser como que uma locomotiva do potencial desta região vitivinícola”
hectare pode dar 20 toneladas, mas é um extremo que as plantas acabam por ter um ciclo de vida curto. O que sig- nifica que se trabalha no passado, não no futuro. Depois, há o extremo oposto, em que nada se faz e a planta dá o que dá, sem controlo. Diria que nós estamos mais próximos do limite inferior. Primeiro, porque temos uma política de viticultura que é interventiva quando tem de ser. E, depois, porque há um conjunto de fatores na vinha que, muitas vezes, não deixa que a produção atinja os níveis que que - remos” , enquadra. Sobre esta última variável, exem- plifica com o acontecido em 2025: a quantidade ficou nas cerca de 250 toneladas de uvas, abaixo dos 350 esperados. Humidade e calor tiveram a sua responsa- bilidade no baralhar destas contas e até os pássaros desempenharam um papel: com o incêndio na Serra de Monchique, em 2023, foram-se deslocando mais para a costa, com as vinhas a serem um alvo natural. Expandir geografias É com esta filosofia que a Vicentino se apresenta ao mercado desde 2014, com um portefólio desenhado para corresponder aos diferentes canais. Das grandes superfícies – onde está presente, por exemplo, com os Colheita, sabendo que os consumidores procuram vinhos de compra fácil, que já conhecem e que re- conhecem na prateleira, aos bares de vinhos – com vinhos com teor alcoólico mais baixo e menos inter- venção, como os Naked, ao encontro de um público mais jovem; passando pela restauração tradicional, com os vinhos mais clássicos, de que são exemplo os monovarietais, e pela alta restauração e garrafeiras – com os vinhos premium . É o mercado nacional que recebe a maior parte da produção, cerca de 65%, mas, para 2026, Pedro Cava- leiro dá conta da intenção de alargar a internaciona- lização. Piscando o olho a mercados menos óbvios, mimetizando o sucesso obtido na Colômbia o ano passado. Brasil e Estados Unidos estão, igualmente, na linha do horizonte, atendendo ao potencial de consumir quantidade. A Europa tem lugar garantido nesta estratégia, cujo passo mais longínquo visa al- cançar a Ásia, deixando pegada na China e no Japão, dois países com um perfil de consumidor que a Vi - centino considera muito interessante para os vinhos que produz na Herdade de São Teotónio, abraçada pela serra, mas sempre desafiada pelo mar.
O mais disruptivo
O espumante La Mer é, aos olhos de Pedro Cavaleiro, o mais disruptivo do portefólio Vi- centino, combinando inovação e risco (calcu- lado). Beneficiando de 48 meses de estágio, é “o exemplo perfeito” do potencial da zona, bebendo da proximidade ao mar, da salinida- de e da mineralidade. “Temos de sair de Por- tugal continental e ir às ilhas, ir à Europa, para encontrar espumantes com estas característi- cas. Tivemos muita sorte” , partilha. A sorte, como o próprio ressalva, dá muito tra- balho. Mas compensa: “É o produto premium que quisemos que fosse.” A intenção primor- dial foi vendê-lo na loja da marca, no local onde é produzido, não tendo sido, pois, alvo de gran- des esforços comerciais: “Temos sempre gar- rafas abertas na adega para que quem nos visi- ta tenha a oportunidade de o provar. Sabemos que é um produto caro, mas queremos mostrar que é possível, que esta zona, se calhar, tem um potencial escondido para a produção de espumantes.”
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