Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

O ano de 2025 foi particularmente atípico para o sector, não só pelas três ondas de calor que assolaram o país, mas também por uma alteração fiscal que provocou uma verdadeira corrida às lojas. A medida temporária que fixava o IVA em 6% para a aquisição de equipamentos de energias renováveis, incluindo ar condicionado e bombas de calor, terminou a 30 de junho, com a taxa a regressar aos 23% no dia seguinte.

com 1.350 milhões de euros, mais 9,8%. Para 2025, a consultora Statista projetava receitas de 352,54 milhões de dólares no segmento de aquecimento e arrefecimento em Portugal, um indicador claro da maturação e expansão deste mercado. IVA: um verão de extremos e a corrida contra o tempo O ano de 2025 foi particularmente atípico para o sec- tor, não só pelas três ondas de calor que assolaram o país, mas também por uma alteração fiscal que provocou uma verdadeira corrida às lojas. A medida temporária que fixava o IVA em 6% para a aquisição de equipamentos de energias renováveis, incluindo ar condicionado e bombas de calor, terminou a 30 de junho, com a taxa a regressar aos 23% no dia seguinte. A consequência foi imediata e avassaladora. Os consumidores anteciparam as suas compras para beneficiarem da taxa reduzida, gerando um pico de vendas sem precedentes e uma pressão imensa sobre os instaladores. Rui Lacerda descreve o cená- rio: “Conheço alguns instaladores, mais do que um, que ficaram com trabalho até setembro. Na última semana de junho, angariaram e faturaram trabalho até setembro.” O resultado foi uma acumulação de serviço que se pro- longou pelo verão dentro, com profissionais exaus - tos e sem capacidade de resposta para novas solici- tações. “Quando lhes pergunto como é que correu o ano, a única coisa que me falam é que estão cansados” , relata. Este episódio, combinado com as temperatu- ras extremas, ilustra a crescente dependência da climatização para garantir o conforto e a saúde em Portugal. Dados da plataforma OLX revelam que a procura por ar condicionado, em junho de 2025, au- mentou 254% em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Quando analisado o período de janeiro a junho do ano passado, o crescimento da procura foi de 97% face ao homólogo de 2024. A procura con- centrou-se sobretudo nas regiões de Lisboa, Setúbal e Porto, que, juntas, registaram mais de 20 mil pes- quisas relacionadas com equipamentos de climati- zação. A oferta, por seu turno, cresceu apenas 36% no caso do ar condicionado, um desfasamento que contribuiu para a pressão sobre os preços e os pra- zos de instalação. Associações como a ZERO, a DECO e a APIRAC (Associação Portuguesa das Empresas dos Sectores Térmico, Energético, Eletrónico e do Ambiente) che- garam a apelar publicamente à reposição da taxa reduzida, argumentando que a subida do imposto representa um “atentado à política climática” e um en- trave à transição energética. O Chega apresentou um projeto de lei para repor a taxa mínima do IVA e o PS exigiu explicações urgentes ao Governo. Apesar dos apelos e de iniciativas legislativas isoladas, o Or- çamento do Estado não contemplou a prorrogação da medida, consolidando o aumento do custo para o consumidor final. A opinião é unânime. O impacto desta decisão política vai muito além da fatura individual. Num

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