tecnologia
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tências elétricas para o aquecimento, um método com uma eficiência muito baixa. Hoje, a tecnologia de bomba de calor permite que um ar condiciona- do moderno seja uma das formas mais eficientes de aquecimento, explica o executivo da Haier. Os números são claros: um sistema de aqueci- mento baseado em resistências elétricas, como um radiador a óleo, consome mais 73% de energia do que um ar condicionado moderno para produzir a mesma quantidade de calor. Até uma caldeira a bio- massa consome mais 59%, explica Rui Lacerda. O problema, muitas vezes, não está no equipamento, mas na sua utilização. A prática comum de regular o aparelho para temperaturas extremas (como 18°C no verão ou 30°C no inverno), na tentativa de climatizar um espaço rapidamente, força o equipamento a tra- balhar no seu limite, aumentando drasticamente o consumo de energia sem garantir necessariamente o conforto térmico. Que não se mede pela tempera- tura mais baixa ou mais alta que se consegue atingir, mas pela capacidade de manter uma temperatura estável e agradável, como explica Diogo Joaquim. “O que é importante é esquecer que o ar condicionado está ali. Quando a pessoa está bem, e esquece que o aparelho está lá, é porque está confortável” , afirma. A temperatura ideal para o verão situa-se entre os 23 e os 24 graus, enquanto no inverno deve rondar os 20 a 21 graus. Forçar o equipamento a trabalhar fora destas con- dições nominais não só aumenta o consumo como pode criar correntes de ar desconfortáveis e com- prometer a qualidade do ar interior. A educação do consumidor é, por isso, um dos grandes desafios do sector. Rui Lacerda lamenta que
contexto em que Portugal se comprometeu com metas ambiciosas de redução de emissões e de descarbonização do edificado, a eliminação de in - centivos fiscais para a aquisição de equipamentos eficientes envia uma mensagem contraditória. A Associação Portuguesa dos Instaladores (AIPOR) manifestou publicamente a sua preocupação, aler- tando que a medida poderia travar o ritmo de reno- vação tecnológica e dificultar o acesso das famílias a soluções mais sustentáveis. A isto há ainda que acrescentar que, se em 2025 houve um pico das vendas, com os consumidores a aproveitarem a redução do IVA, os próximos anos serão dominados pela incerteza. Porque a verdade é que o mercado nacional ainda está muito dependen- te da existência de incentivo para a aquisição deste tipo de equipamentos. O desafio da eficiência energética dos edifícios A eficiência energética é, talvez, o tema mais central e complexo que o sector da climatização enfrenta. Este desafio desdobra-se em duas frentes interligadas: a performance dos próprios equipamentos e a qualida- de do parque edificado onde estes são instalados. E é na parte da eficiência dos equipamentos que (ainda) reside um mito. O mito do consumo. Ainda persiste na mente de muitos consumidores a ideia de que instalar um ar condicionado resulta num dis- paro da fatura de eletricidade. Rui Lacerda afirma que esta perceção, embora já tenha sido verdadeira, está completamente desatualizada. “O ar condiciona- do já foi muito caro. Mas era verdade há cerca de 20 anos.” Naquela época, os equipamentos utilizavam resis-
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