Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

O verão de 2025 foi um aviso claro: o conforto térmico deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade. A forma como o país responderá a este desafio definirá não só o futuro de um sector económico vital, mas também a qualidade de vida e a resiliência dos portugueses nas próximas décadas

tiloconvetores ou piso radiante. Esta última combi- nação é, na sua opinião, “o sistema perfeito, ou quase perfeito, para climatizar uma casa.” A principal desvantagem da bomba de calor ar-á- gua é o custo de instalação significativamente mais elevado. Um sistema de ar condicionado para um apartamento T3 pode custar cerca de cinco mil eu- ros, enquanto apenas a bomba de calor ar-água pode atingir esse valor, ao qual se somam os custos da instalação hidráulica e dos emissores (piso radian- te, ventiloconvetores, entre outros). Por esta razão, o ar condicionado é a solução dominante na reabilita- ção, sendo “uma solução simples, económica, eficiente e o custo de utilização é muito baixo” . RH: o eterno problema No entanto, o sector enfrenta uma grave crise de re- cursos humanos. A crescente procura, especialmen- te por sistemas de ar condicionado que exigem a ma- nipulação de gases fluorados, colide com a escassez de técnicos certificados. Miguel Ferreira alerta para esta realidade: para a instalação de ar condicionado “tem de haver manipulação [de gás] , porque a máquina exterior traz o gás” . Isto obriga a que a instalação seja feita por profissionais certificados, que são cada vez mais raros no mercado. Em fevereiro de 2025, a APIRAC lançou um aler- ta sério: a indústria térmica necessita urgentemen- te de cinco mil novos trabalhadores para conseguir responder às exigências do mercado e à emergência climática. A escassez é sentida a todos os níveis, mas é particularmente crítica nas áreas de instalação e manutenção. “Não há suficientes técnicos certificados para o mercado que existe neste momento” , lamenta Dio- go Joaquim. A situação é tal que, mesmo para quem trabalha na área, conseguir um instalador se tornou uma tarefa hercúlea. As causas para este défice são profundas e mul - tifatoriais. Por um lado, existe uma desvalorização histórica das formações técnicas e profissionais em detrimento do ensino universitário. Por outro, o pró- prio sector é visto como sendo muito fechado. Nuno Roque reforça a ausência de uma estra- tégia nacional que promova as oportunidades de carreira na indústria térmica junto dos jovens, no- meadamente a partir do nono ano de escolaridade. As empresas do sector, por sua vez, tentam mitigar o problema oferecendo salários acima da média na- cional para reter os seus profissionais, mas essa não é uma solução sustentável a longo prazo. Sem um investimento sério em formação e na valorização destas profissões, o país arrisca-se a não ter capaci - dade para implementar as soluções necessárias para a transição energética. O papel da regulamentação Apesar dos benefícios claros das tecnologias eficien - tes, a sua implementação em larga escala enfrenta barreiras significativas. A principal, segundo a Ther -

144

Made with FlippingBook - professional solution for displaying marketing and sales documents online