GRANDE CONSUMO
sa pela conjugação de três grandes tendências: sustentabi - lidade, eficiência energética e digitalização.” Mas falar de climatização obriga, necessariamen- te, falar de qualidade do ar interior (QAI). A pande- mia de Covid-19 catapultou a preocupação com a qualidade do ar que respiramos dentro de portas. A procura por tecnologias como filtros HEPA, sistemas de purificação com luz UV-C e ventilação controla - da (DCV) continua elevada. Em Portugal, a fiscaliza - ção da ASAE, que em agosto de 2025 resultou em 30 processos de contraordenação por incumprimento das regras de QAI em grandes edifícios, demonstra a crescente importância regulatória deste tema. E, por fim, não esquecer a integração com as energias renováveis. A combinação de sistemas de climatização, especialmente bombas de calor, com painéis fotovoltaicos para autoconsumo é uma ten- dência em forte crescimento. Esta sinergia permite não só reduzir a dependência da rede elétrica, mas também maximizar a poupança e a sustentabilidade da solução de climatização. O sector está a ser redefinido por uma convergên - cia de fatores tecnológicos e ambientais. A aeroter- mia está a emergir como uma força central, sendo já considerada a quarta fonte de energia renovável na Europa. Esta tendência é impulsionada pela cres- cente adoção de bombas de calor, tanto ar-ar (ar condicionado) como ar-água, que se destacam pela sua elevada eficiência e alinhamento com as metas ambientais europeias. Segundo a Thermor, as bom- bas de calor conseguem produzir entre três a quatro vezes mais energia térmica do que a eletricidade que consomem. O mercado português de climatização encontra- -se numa encruzilhada. De um lado, a urgência im- posta pelas alterações climáticas e pela regulamen- tação europeia cria uma oportunidade de negócio e de modernização sem precedentes. Do outro, a falta de mão-de-obra qualificada, um parque edificado ineficiente e um poder de compra limitado repre - sentam barreiras significativas que precisam de ser transpostas. O caminho para um futuro climatizado de forma sustentável e eficiente exigirá um esforço concertado entre Governo, indústria, instituições de formação e consumidores. Será necessário valorizar as profissões técnicas, criar mecanismos de apoio à reabilitação energética dos edifícios que sejam aces- síveis a todos e continuar a educar o consumidor sobre a importância de uma utilização racional dos equipamentos. O verão de 2025 foi um aviso claro: o conforto térmico deixou de ser um luxo para se tornar uma necessidade. A forma como o país responderá a este desafio definirá não só o futuro de um sector econó - mico vital, mas também a qualidade de vida e a resi- liência dos portugueses nas próximas décadas.
mor e a APIRAC, continua a ser o custo inicial. O au- mento do IVA de 6% para 23% em Portugal, em julho de 2025, é apontado como um grande retrocesso. A Thermor nota que, enquanto países como França e Alemanha mantêm “incentivos fiscais robustos” , a me- dida portuguesa “reduz a competitividade nacional” e cria uma “barreira adicional” à transição energética. Opinião partilhada por Nuno Roque, que reforça que os 17% de diferença no IVA são “altamente deter- minantes na decisão de investir” , especialmente no sec- tor residencial, onde apenas 17% das casas têm ar condicionado. A burocracia e a morosidade no acesso a apoios governamentais são outro entrave. “Para o sector resi- dencial, as candidaturas para acesso a apoios à aquisição de equipamentos superiores a um ano desconhecem ainda se são elegíveis, muito menos reembolsadas” , lamenta o diretor-geral da APIRAC. Os fabricantes, por sua vez, enfrentam os seus próprios desafios. A Thermor aponta para a queda de vendas de bombas de calor na Europa em 2024 (cerca de 21% a 23%), a instabilidade dos apoios go- vernamentais, os custos elevados dos materiais e a concorrência de sistemas a gás com preços artificial - mente baixos nalguns mercados. Tendências que moldam o futuro Apesar dos desafios, o futuro da climatização em Portugal e na Europa afigura-se promissor e tecnolo - gicamente avançado. Esta é a conclusão do “Europe HVAC Industry Outlook Report 2025-2030”, que pro- jeta um crescimento do mercado europeu de 68,8 mil milhões de dólares em 2024 para 99,27 mil milhões em 2030. Que será alavancado por várias tendências- -chave. Desde logo a sustentabilidade e eletrificação. De facto, a transição para refrigerantes com bai- xo potencial de aquecimento global (GWP), como o R290, e a aposta clara nas bombas de calor como al- ternativa às caldeiras a combustíveis fósseis são irre- versíveis. A eletrificação do aquecimento e arrefeci - mento é uma peça central do plano REPowerEU e da estratégia de descarbonização europeia. “O gás está cada vez mais a ser preterido para a eletrificação e na cli - matização isso também é regra” , afirma Miguel Ferrei - ra, notando o declínio de soluções como a biomassa ( pellets ), cuja instabilidade de preços e necessidade de manutenção intensiva geraram desconfiança nos consumidores. A isto junta-se a inteligência artificial e a IoT. A digitalização está a transformar os equipamentos de climatização em sistemas inteligentes. Soluções como a aplicação LG ThinQ permitem o controlo re- moto e a monitorização do consumo, enquanto algo- ritmos de IA aprendem os padrões de utilização para otimizar o funcionamento, aumentar o conforto e reduzir o desperdício de energia. Catarina Barroso, da LG Portugal, resume: “O futuro da climatização pas -
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