Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

Catapultado pela pandemia de Covid-19, o comércio online deixou de ser uma tendência conjuntural para se tornar um hábito enraizado na vida dos portugueses. Em 2025, mais de dois terços (67,9%) da população com mais de 15 anos a resi- dir em Portugal fez compras através de sites ou plataformas digitais. No total, falamos de 5,8 milhões de indivíduos, mais 313 mil face ao ano anterior, de acordo com o mais recente Barómetro E-commerce, produzido pela Marktest. Embora esta realidade seja particularmente evidente entre indivíduos até aos 54 anos, que concentram 77,2% dos compradores online , observou-se também uma tendência de crescimento entre os cidadãos com mais de 64 anos, que no último ano representaram 9,8% do universo total de compra- dores. Um dado que mostra que a adoção do comércio online continua a alargar-se a novos segmentos da população. A maturidade desta forma de consumo reflete-se também noutro indicador, a frequência de compra: 50,3% dos com- pradores fazem-no até três vezes por mês. Contudo, à medida que o mercado amadurece, aumen- ta também a exigência. Portes demasiado elevados, falta de confiança na loja ou preços vistos como superiores aos da concorrência são apontados como os principais motivos que levam ao abandono de uma compra online . Estes fatores evidenciam que, num contexto cada vez mais competitivo, a transparência, a credibilidade e a competitividade de pre- ços são determinantes para converter intenção em compra efetiva. O preço tem, aliás, um papel central na escolha da loja online . Ter preços mais baixos é apontado por 60,6% dos com- pradores como fator decisivo, enquanto 42% referem a au- sência de custos de envio como um elemento determinante. Não surpreende, por isso, que as entregas gratuitas surjam como o fator com maior influência nas decisões de compra online , à frente dos influenciadores ou da opinião de figuras públicas. Outro aspeto relevante prende-se com a logística de en- trega. Embora a casa continue a ser o local preferido para receber encomendas, os pontos de levantamento têm vindo a ganhar expressão – a preferência por este local registou um crescimento de 35,7% face a 2024 –, refletindo a procura por maior flexibilidade na receção das compras. Para o futuro, os consumidores demonstram alguma cau- tela relativamente à evolução dos preços. Uma parte signifi - cativa acredita que os preços das compras online vão aumen- tar, mas, apesar disso, a maioria continua a ver o canal digital como mais competitivo. No fundo, os dados indicam que, depois de um período de crescimento acentuado, o mercado caminha agora para uma fase de consolidação. Para as marcas, o desafio já não passa apenas por estar presente online , mas por oferecer uma experiência de compra competitiva, transparente e conve- niente.

opinião Comércio online: de tendência a hábito de consumo CARLOS PEDRO diretor adjunto comercial & marketing da Marktest

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