mercado
N.97
com os motores de busca convencionais: 86% dos utilizadores da Geração Z pesquisa semanalmen- te na plataforma, praticamente o mesmo índice de utilização do principal motor de busca tradicional. Esta mudança reflete não apenas uma alteração de comportamento, mas também uma redefinição da própria noção de “pesquisa”. Os Millennials seguem uma trajetória semelhan- te, ainda que com menor intensidade. Quase dois terços (64%) realiza pesquisas no TikTok semanal- mente, consolidando a plataforma como um dos principais destinos de pesquisa para as gerações digitais. Entre a Geração X e os Boomers, os pa- drões são bastante diferentes. Estes consumidores continuam a confiar maioritariamente nos motores de busca tradicionais: 96% utiliza regularmente o principal motor de pesquisa. Embora uma parte sig- nificativa (47%) pesquise no TikTok, a utilização de outras plataformas sociais e de vídeo é substancial- mente menor. Esta busca por confiança é refletida também no Reddit, onde um relatório da WARC revelou que 76% dos utilizadores acredita que as publicações são mais honestas e verdadeiras do que noutras plataformas, destacando o valor que os consumidores atribuem a conteúdos de experiência humana não filtrados. São histórias reais, opiniões reais e avaliações feitas por pessoas reais, exatamente o tipo de conteúdo que os consumidores modernos procuram e, cada vez mais, o único em que estão dispostos a confiar. Da comunidade à compra O modelo antigo, uma abordagem transacional, em que as marcas difundiam mensagens para uma au- diência passiva, está a ser substituído por um novo código: relacional, descentralizado e construído em torno da comunidade. Nesta nova era, as mar- cas já não podem simplesmente comunicar o seu valor; devem participar ativamente nas conversas e conquistar o seu lugar dentro das comunidades que desejam servir. Os especialistas que exploram este novo terri- tório antecipam um futuro ainda mais especializa- do e integrado. Filipa Teixeira prevê o surgimento de comunidades digitais mais fragmentadas, mas também mais fortes na sua identidade. “O futuro aponta para microcomunidades altamente envolvidas, construídas em torno de valores e interesses partilhados. Penso que veremos uma maior integração entre as re - des sociais e o e-commerce, com conteúdos diretamente transacionáveis e um reforço da importância da trans - parência e da autenticidade nas relações entre criadores, marcas e audiências.” Esta visão de um panorama de consumo mais fragmentado, mas também mais apaixonado, é complementada pela previsão de Teba Lorenzo, que imagina um futuro marcado pela “integração completa de entretenimento, descoberta e compras.” Num mercado dinamizado pelas comunidades
online , as marcas mais valiosas não serão as que tiverem a voz mais alta ou o maior orçamento; se- rão aquelas que cultivarem o sentido de pertença mais forte, que souberem ouvir e que construírem relações genuínas. Serão aquelas que decifrarem o código da comunidade, provando que esta não é apenas uma estratégia de marketing , é o próprio mercado.
O modelo antigo, uma abordagem transacional, em que as marcas difundiam mensagens para uma audiência passiva, está a ser substituído por um novo código: relacional, descentralizado e construído em torno da comunidade
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