Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

“Temos dados que mostram que mais de 90% dos consumidores refere preferir eleger produtos mais sustentáveis, mas, quando implica pagar mais por isso, nem 20% está disposto a fazê-lo”

de materiais e ingredientes mais sustentáveis. “Os investimentos relacionados com a transformação susten - tável são parte integrante do modelo de negócio da L’Oréal e acreditamos que é o que nos pode diferenciar de outros concorrentes e acrescentar valor aos nossos produtos e ao Grupo L’Oréal, enquanto marca, o que se irá refletir na es - colha dos consumidores e, naturalmente, na nossa compe- titividade” , assegura. Entre os investimentos realizados estão iniciati- vas dedicadas à inovação, desenvolvimento de no- vos materiais e financiamento de projetos ambien - tais, incluindo um fundo de 50 milhões de euros dedicado à proteção da natureza, além de parcerias com instituições, como a estabelecida com o Cam- bridge Institute for Sustainability Leadership. Esta abordagem reflete a estratégia global da empresa, enquadrada no programa L’Oréal for the Future, que estabelece metas ambientais e sociais até 2030. E também revela uma mudança significativa na forma como muitas empresas encaram a sustentabilidade: não apenas como custo, mas como investimento es- tratégico na competitividade futura. Uma ideia reforçada por um estudo da SAP, segun- do o qual 72% das empresas reconhece uma relação direta entre sustentabilidade e competitividade. As mais comprometidas com esta agenda tendem a re- gistar maiores níveis de crescimento e rentabilidade. Ainda assim, a relação entre sustentabilidade e de- sempenho económico nem sempre é imediata. Mui- tos investimentos exigem anos para gerar retorno, criando um dilema estratégico para as empresas. E para as marcas de fabricante, a questão da distribui- ção dos custos é particularmente sensível. Voz institucional das marcas de fabricante no mercado português, a Centromarca tem uma visão clara sobre este tema. Pedro Pimentel, diretor-geral da associação, centra a discussão na distribuição dos custos ao longo da cadeia e defende uma abor- dagem tripartida. “Estes encargos não podem ser supor - tados apenas pelas empresas. É fundamental um esforço partilhado: do Estado, que deve reduzir custos de contexto e criar incentivos, e dos cidadãos, que assumem um papel decisivo no uso e destino final dos produtos” , descreve. Gerir o equilíbrio entre preço competitivo e sus- tentabilidade é um desafio diário para as marcas. A inovação, a eficiência e a escala até podem mitigar os custos, mas, no entender de Pedro Pimentel, não eliminam a necessidade de um contexto favorável e da corresponsabilização do consumidor. “A sus- tentabilidade não pode ser vista como penalização com - petitiva, mas como valor acrescentado, desde que exista regulação estável e retalhistas dispostos a reconhecer o investimento das marcas, sempre com a preocupação de que os encargos de contexto não distorçam a concor - rência” . E neste ponto, a Centromarca é assertiva: a relação entre fabricantes e retalhistas é crítica. “O caminho sustentável exige maior cooperação, incluindo com os retalhistas, que devem reconhecer e valorizar essa aposta.”

Auchan

A sustentabilidade tornou-se um eixo estru- turante da estratégia da Auchan em Portugal, refletindo-se em investimentos em eficiência energética, modernização das infraestrutu- ras e produção de energia renovável. Entre as principais iniciativas destacam-se a instala- ção de iluminação LED, sistemas inteligentes de climatização e frio alimentar, bem como a substituição de equipamentos de refrigera- ção por tecnologias com menor pegada de carbono. A empresa tem igualmente reforça- do a produção de energia renovável, através da instalação de painéis solares nas lojas e plataformas logísticas e da contratação de eletricidade de origem renovável. A otimização logística e a melhoria dos pro- cessos operacionais complementam este es- forço, com projetos de logística sustentável e sistemas de gestão ambiental e energética. Em 2024, 65 lojas da Auchan Retail Portugal obtiveram certificação nas normas ISO 14001 e ISO 50001, num sistema corporativo que in- tegra também a certificação SA8000, refor- çando o compromisso da empresa com a res- ponsabilidade social, o ambiente e a energia. A economia circular é outro pilar da estraté- gia, ainda que algumas iniciativas impliquem investimentos iniciais. A valorização de ex- cedentes alimentares, através de parcerias como a com a Too Good To Go ou de dona- tivos, tem permitido reduzir o desperdício e gerar impacto positivo. A empresa aposta ainda em parcerias com startups e fornecedores locais para acelerar a inovação e reduzir a pegada de carbono da cadeia de abastecimento. Entre os exemplos está a reutilização da borra de café recolhida nas lojas, utilizada por produtores locais como fertilizante ou repelente natural de pragas.

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