Grande Consumo N.º 97

opinião

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fiança no sistema e, sobretudo, a perceção de que cada gesto individual faz realmente diferença. A comunicação tem aqui, pois, um papel determinante. Explicar um sistema tecnicamente complexo de forma sim- ples e próxima é essencial para garantir a adesão dos con- sumidores. Foi precisamente por essa razão que nasceu a marca volta. Sob o mote “v de volta”, a marca procura tradu- zir a lógica de circularidade que está na base deste modelo: quando devolvemos uma embalagem, estamos a dar-lhe uma nova vida. A estratégia de comunicação foi desenhada para chegar a públicos muito diversos e apoiar esta transição de compor- tamentos, com presença em TV, rádio, digital, instore media , influenciadores e assessoria de imprensa. O objetivo é cla - ro: explicar como funciona o sistema de forma pedagógica, mostrar o impacto de cada gesto e mobilizar os cidadãos para participarem. Ao mesmo tempo, pretende-se tornar o novo gesto de devolução algo simples e integrado nas rotinas do dia a dia. Mas, para o sucesso da volta, é também fundamental o papel do retalho alimentar. Com a instalação de cerca de 2.500 máquinas de devolução em supermercados e hipermer- cados em todo o país, o retalho será um ponto central na ope- racionalização do sistema. Para muitos consumidores, será precisamente no momento das compras que a devolução das embalagens passará a fazer parte da rotina. A ação do sector tem sido fundamental desde o início do processo, permitindo desenvolver uma rede de recolha altamente capilar, localiza- da em todo o território nacional, e que responde às necessi- dades dos cidadãos. Além do retalho, os produtores e embaladores são peças- -chave neste sistema. São responsáveis pelo financiamento do SDR, ao abrigo do princípio da Responsabilidade Alargada do Produtor, assegurando que os custos da gestão das em- balagens que colocam no mercado são assumidos de forma responsável. Para além disso, investiram na adaptação dos seus produtos ao sistema, incluindo a integração do símbo- lo volta, e garantem a compatibilidade com as máquinas de recolha, de forma a tornar o processo simples e seguro para o consumidor. Graças a este alinhamento, todo o ciclo, des- de a produção até à devolução, funciona de forma eficiente e previsível, reforçando a confiança de todos na economia circular. Este trabalho tem sido possível graças ao envolvimen- to dos associados da SDR Portugal, que reúne produtores, embaladores e retalhistas que abarcam praticamente a to- talidade da indústria de bebidas e do retalho alimentar em Portugal. Essa articulação garante que o sistema tem escala nacional e que todos os intervenientes estão alinhados em torno do mesmo objetivo: aumentar a recolha de embalagens e reforçar a circularidade dos materiais. Mais do que uma solução técnica, a volta representa uma oportunidade para transformar a relação dos consumidores com as embalagens que utilizam no dia a dia. Cada garrafa ou lata devolvida significa menos resíduos na rua e nas praias, mais materiais recuperados e um contributo direto para o nosso ambiente, para um Portugal mais limpo. A experiência mostra que, quando os sistemas são aces- síveis e integrados nas rotinas das pessoas, rapidamente se

tornam parte do quotidiano. Quando conseguirmos integrar esse gesto no nosso dia a dia, estaremos não apenas a cum- prir metas, mas a consolidar uma nova cultura proteção do ambiente. Uma cultura em que cada embalagem tem valor e em que cada cidadão tem um papel ativo na construção de um futuro mais sustentável. Afinal, quando devolvemos uma garrafa ou uma lata, estamos também a dar uma nova volta ao ciclo dos materiais e a contribuir para que o futuro tenha, de facto, “v de volta”.

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