GRANDE CONSUMO
“As empresas que começarem agora terão tempo para aprender e tomar consciência de que não se trata apenas de reportar, mas de serem verdadeiramente sustentáveis. Uma coisa é cumprir, outra coisa é ser sustentável. Cumprir é responder ao regulador; ser sustentável é integrar estas práticas na estratégia, nas operações e na cultura da empresa”
Entre a falta de obrigação e a falta de compromisso A ausência de reporte da pegada carbónica é talvez o maior sintoma de atraso. Para Mario Izquierdo, as causas são claras: “Há sempre dois fatores que in- fluenciam esta questão: a obrigatoriedade de calcular, medir e acompanhar esses indicadores e o compromisso real das empresas com o meio ambiente.” No sector industrial, cerca de 70% das emissões provém da aquisição de matérias-primas, pelo que existe maior pressão, um efeito em cascata, em que as empresas que reportam exigem que os seus fornecedores façam o mesmo. É daí que nasce a transformação. Fora deste contexto, com exceção de áreas como o alimentar, a sensibilidade conti- nua reduzida. “Se o reporte da pegada de carbono não for exigido pelos clientes, pelo mercado ou por via legal, estas empresas raramente realizam essa análise” , subli- nha. Junta-se ainda a complexidade técnica, a falta de conhecimento interno e os custos de implemen- tação. Este cenário alimenta dois fenómenos em ex- pansão: o greenwashing – a apresentação exagerada de esforços – e o greenhushing – o silêncio delibera- do para evitar escrutínio, com as empresas a opta- rem por dizer menos para errar menos. A opacida- de torna-se uma estratégia defensiva num sistema sem dados fiáveis. Nessa medida, a transformação começa sempre pela definição de um plano de sustentabilidade e pela identificação exata dos indicadores obriga - tórios e reputacionais. A partir daí, a tecnologia torna-se indispensável. Segundo Mario Izquierdo, o primeiro projeto que qualquer empresa deve rea- lizar é um projeto de governação de dados, “com o objetivo de identificar onde se encontra a informação relevante, que, muitas vezes, está dispersa por vários sistemas de gestão da empresa.” Daqui nasce a neces- sidade de consolidação dos dados num único repo- sitório que permite, depois, integrar sistemas, di- gitalizar processos, recolher informação de forma contínua e validar automaticamente indicadores críticos.
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