Grande Consumo N.º 97

opinião

N.97

produto e à ocasião. Quem não percebe isto continua a per- der relevância, mesmo estando “em loja”. Durante anos, falou-se da inevitabilidade do crescimento das marcas da distribuição e do enfraquecimento das marcas de fabricante. A realidade atual é mais complexa, mas acre- dito que muito mais interessante também. Num mercado mais fragmentado, o comprador tende a tornar se mais marquista, desde que perceba valor real. O de- safio é que esse valor já não pode assentar apenas em promo - ção, visibilidade ou preço. O comprador mais experiente: • usa menos cartões de fidelização; • depende menos de promoções; • decide mais com base em benefício, qualidade e ade- quação ao momento. Isto obriga as marcas a uma mudança difícil: sair da zona de conforto da promoção contínua e investir, de forma con- sistente, em construção de valor, identidade, propósito e di- ferenciação real. Fora de casa: crescimento, sim, mas sem ingenuidade O consumo fora de casa está a crescer, mas não da forma simplista que muitas vezes observo assumirem. O aumento de valor já não vem da frequência, mas do número de con- sumidores e do ticket médio. Distribuição moderna e delivery ganham espaço, sobretudo junto de classes médias-baixas e consumidores mais maduros, enquanto o Horeca enfrenta uma concorrência crescente pelos mesmos momentos.

Aqui, mais uma vez, a lógica não é de substituição, mas de duplicação. O consumidor acumula canais. E a oportuni- dade passa por ser o canal escolhido em cada contexto, não por tentar estar em todo o lado com a mesma proposta. E para as marcas há o desafio adicional de estar presente nes - ses canais, sim ou sim. A pergunta certa já não é “onde vendemos”, mas “onde so- mos relevantes” A grande conclusão da Lisbon Food Affair é clara: estar pre - sente em todo o lado deixou de ser opcional; estar presente sem relevância deixou de ser suficiente. Crescer neste novo ecossistema exige: • ganhar compradores de forma consistente; • adaptar portefólio, comunicação e execução a cada con- texto; • reduzir a dependência excessiva de promoções; • considerar a marca como um ativo estratégico, não como uma variável tática. O consumidor é único, o consumo é múltiplo. As marcas que continuarem à procura de um consumidor estático vão continuar a perguntar-se porque é que o crescimento não aparece. As que perceberem onde o consumidor está, e por- que está ali, vão liderar o próximo ciclo de crescimento.

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