Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

Talvez a maior prova de que o culto da pechincha é hoje mais cultural do que económico esteja na forma como cada geração o vive. Todos procuram valor, nenhum o define da mesma forma. E é nesse desencontro que o consumo contemporâneo se reinventa todos os dias. Talvez por isso, mais do que perguntar onde está a próxima pechincha, valha a pena perguntar para quem é que ela é, afinal?

problema que atravessa todo o sector do retalho e que condicio- na a expansão sustentada do modelo. O desafio, nota, não está apenas no recrutamento, mas na retenção e formação, pilares essenciais para garantir uma experiência de compra consisten- te num segmento onde o contacto humano continua a desem- penhar um papel relevante. Este diagnóstico é consistente com os dados nacionais sobre o emprego no comércio a retalho, que revelam dificuldades persistentes no preenchimento de vagas, elevada rotatividade e pressão crescente sobre os custos de for- mação. Na TEDi, Fernando Strubing Gomes reforça esta visão, ao reconhecer que uma expansão acelerada torna imperativa a “otimização contínua dos processos operacionais”. Num modelo ba- seado em milhares de referências, forte rotação de categorias e entradas frequentes de novidades, a eficiência logística é condi - ção de sobrevivência: do abastecimento ao planeamento de sor- tido, passando pelo transporte e pela reposição. A TEDi opera como um sistema vivo onde a operação nunca está concluída, apenas em permanente ajuste. A Pepco, por seu lado, destaca a gestão da cadeia de abas- tecimento como fator crítico para manter os preços acessíveis sem comprometer a qualidade ou a disponibilidade. A missão da marca – combinar amplitude de sortido, consistência e pre- ços baixos – depende de uma orquestração quase cirúrgica en- tre sourcing , produção, transporte e distribuição. Num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas, custos energé- ticos instáveis e flutuações de transporte, esta é uma equação que exige atenção diária, planeamento rigoroso e elevada capa- cidade de antecipação. Estamos, assim, perante um segmento em forte crescimen- to, mas sujeito a pressões intensas, exatamente como aconteceu com os discounts alimentares na sua fase inicial em Portugal. Também então, as insígnias se expandiam rapidamente en- quanto lidavam com margens reduzidas, custos voláteis e ne- cessidade de construir equipas sólidas a grande velocidade. A história repete-se, com os seus desafios e oportunidades. Mas se os desafios são partilhados, as ambições também o são. E não são modestas. Em apenas dois anos e meio, a Pepco já soma 23 lojas e Jorge Barrie Ruiz não esconde a vontade: quer “abrir ainda mais lojas em Portugal, incluindo ilhas.” A NORMAL se- gue trajetória semelhante: com cerca de 40 lojas, Isabel Balsas confirma a intenção de “levar a NORMAL a todas as zonas do país” , reforçando a capilaridade que sustenta o modelo. Mas é a TEDi que apresenta talvez o plano mais ambicioso de todos. Fernando Strubing Gomes revela que a marca preten- de “passar das cerca de 25 lojas atuais para aproximadamente 150” e, a nível europeu, alcançar a “abertura da 5.000.ª loja em 2029.” Trata-se de uma visão que projeta Portugal não apenas como destino, mas como pilar estratégico dentro da expansão ibérica e europeia. A KiK, por sua vez, adota uma estratégia de proximidade profundamente ancorada no quotidiano das famílias. O obje- tivo, afirma Marta Albuquerque, é “estar o mais próximo possível dos clientes, nas zonas onde vivem e trabalham” , privilegiando lojas de conveniência “longe da agitação dos grandes centros comerciais.” Este posicionamento traduz uma compreensão precisa do com- portamento português: lojas próximas, práticas, de acesso sim- ples e com sortido claro e funcional. A ambição de todas estas insígnias é reforçada pelo diag-

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