Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

Mais do que produtos disruptivos, trata-se de integrar a inovação na

centros, foram implementadas 220 melhorias no sortido, 330 novidades e 23 inovações, em 2024. “Esta forma de atuar está patente no crescimento enquanto em- presa de confiança. Com este processo participativo, a Mercadona assegura que o sortido está constantemente adaptado aos clientes, evitando uma pressão adicional nos processos logísticos da empresa” , sublinha. Vistos como estratégicos, os centros de co-inova- ção permitem, graças a este contacto direto com os clientes, que as equipas de especialistas de produto observem hábitos de consumo, testem protótipos e recolham informação sobre as preferências, desa- fios e expectativas dos consumidores. O que vai ao encontro de uma cultura empresarial que coloca o “chefe” no centro das prioridades, considerando-o referência para todas as decisões: “É essa mentalida- de que está na base da procura pela melhoria constante da qualidade dos produtos e serviços que são oferecidos” , comenta a fonte oficial da insígnia. E, entre os produtos desenvolvidos nestes cen- tros, somam-se exemplos bem-recebidos pelo mer- cado, como os Dochis sabor cheescake e banoffee , os filetes de cantarilho e as tortilhas de milho. E, entre os aprimorados, incluem-se os camarões cozidos descascados e as tortilhas de camarão, entre outros. A propósito, o retalhista realça que tem sido reco- nhecido por algumas das suas inovações, concreti- zando com o sistema de corte da película aderente, com o arroz de verduras pronto numa embalagem apta para micro-ondas e com o código QR, que veio substituir o código de barras, todos destacados pelo Observatorio de Innovación en Gran Consumo del Institut Cerdà. Este é um processo para o qual – afiança a fonte – a Mercadona olha com “grande responsabilidade” , consciente do risco de inovar por inovar e, por isso, evitando qualquer inovação que não acrescente va- lor real ao “chefe” ou à cadeia de abastecimento. “O processo de inovação foca-se sempre em responder a ne - cessidades concretas para melhorar a qualidade dos pro- dutos ou aumentar a eficiência da cadeia de distribuição, incluindo fornecedores e colaboradores” , responde, re- forçando a mensagem com os quatro eixos em que se alicerça o modelo de inovação. Neste contexto, entende que a inovação pode ir tão longe quanto for útil para melhorar a vida dos clientes e a eficiência da cadeia, mas nunca ultra - passa esse limite: “O objetivo não é inovar por tendên - cia ou moda, mas, sim, para criar soluções que façam sentido, que resolvam problemas reais e que reforcem a confiança que os ‘chefes’ depositam na Mercadona.”

experiência de compra e de transformar tendências em soluções concretas e acessíveis

hambúrgueres, fiambre, queijo, café, tremoços, a composição da caldeirada (escolher o tamanho da posta e as espécies de peixe que a devem compor), mas também os melhores sacos do lixo ou as emba- lagens do azeite ou das tostas. O foco – diz o diretor de qualidade e sustentabilidade – é que a inovação que dali resulta seja orientada pelo valor que acres- centa aos consumidores, não sendo encarada como um fim em si mesma. “O nosso caminho será sempre ir tão longe quanto necessário para criar soluções mais saudáveis, sustentáveis e diferenciadoras, alinhadas com as necessidades e expectativas reais de quem confia em nós” , afiança. Um processo participativo Tranversal. É assim que a inovação acontece na Mercadona, enquanto parte do modelo de qualida- de total. Um modelo que, segundo fonte da insíg- nia, orienta cada decisão para responder aos prin- cipais fundamentos que guiam a ação da empresa: o “chefe” (como são designamos os clientes), o cola- borador, o fornecedor, a sociedade e o capital. Este compromisso é assumido através do mo- delo de inovação, que contribui diretamente para impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sus- tentável 9 (Indústria, Inovação e Infraestruturas) e 17 (Parcerias para a Implementação dos Objetivos) e envolve toda a cadeia: fornecedores especialistas, colaboradores e, sobretudo, os “chefes”. É um mo- delo que assenta em quatro eixos: inovação de pro- cessos, inovação de produto, inovação social e ino- vação aberta e colaborativa. “Com esta abordagem, a Mercadona procura inovar sempre com um propósito claro: melhorar a qualidade dos seus produtos e o servi- ço de excelência que prestamos aos ‘chefes’” , sintetiza a mesma fonte. No que toca à inovação de produto, decorre da escuta ativa dos clientes, da colaboração estreita com fornecedores especializados e de uma rede de 24 centros de co-inovação em Portugal e Espanha, onde os “chefes” partilham as suas experiências, “permitindo desenvolver e melhorar o sortido de acordo com as reais necessidades dos clientes” . Através destes

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