Grande Consumo N.º 97

GRANDE CONSUMO

O desenvolvimento de novos produtos alimentares tornou-se uma das áreas estratégicas e dinâmicas da indústria alimen- tar. Atualmente, o mercado é caracterizado por uma concor- rência intensa, por consumidores mais informados e por exigências e especificidades regulamentares cada vez mais rigorosas, o que leva a que a inovação seja uma necessidade, de forma a garantir a competitividade e a sustentabilidade. O desenvolvimento de novos produtos alimentares é es- sencial para que as empresas acompanhem as mudanças sociais, tecnológicas e do mercado, no qual os consumido- res têm um papel deveras importante. Porquê? Os consumi- dores exigem alimentos cada vez mais saudáveis, práticos, sustentáveis e personalizados, estimulando a indústria e a restauração a investir em soluções novas e diferenciadoras. Nesse sentido, a inovação irá permitir que as indústrias (1) respondam rapidamente às tendências alimentares como, por exemplo, aos alimentos plant-based , produtos sem glúten, snacks proteicos e refeições prontas; (2) criem valor adicio- nal, melhorando a rentabilidade e fortalecendo a imagem de marca dos produtos; (3) otimizem e invistam em processos produtivos que irão aprimorar a qualidade do produto e que os (4) riscos sejam reduzidos, diversificando o portefólio. Com o desenvolvimento de novos produtos não se con- segue apenas lançar novidades, mas, sim, acompanhar, e até mesmo antecipar, as necessidades, garantindo a sobrevivên- cia e a evolução na área alimentar. São vários os fatores que impulsionam a inovação alimentar, desde os consumidores cada vez mais exigentes, quer seja pelo estilo de vida e pela crescente preocupação com a saúde, conveniência e susten- tabilidade que levam à procura de determinados alimentos como os clean-label , veganos, vegetarianos, funcionais, orgâ- nicos, entre outros. As novas tecnologias aplicadas ao processamento, à con- servação e à embalagem tornam possível a obtenção de ali- mentos com vida útil prolongada, características sensoriais diferenciadoras e maior garantia de segurança. Por outro lado, as empresas precisam de lançar novidades constante- mente para se destacarem nos mercados cada vez mais satu- rados e repletos de alternativas. O aumento da população urbana e idosa, a redução do tamanho das famílias e a maior participação feminina no mercado de trabalho influenciam diretamente os padrões de procura de alimentos. A crescente procura por produtos com menor impac- to ambiental, embalagens biodegradáveis, ingredientes de origem local, menor desperdício e cadeias produtivas mais eficientes reflete a valorização da sustentabilidade e da res - ponsabilidade ambiental. Por fim, as alterações nas normas de rotulagem, os li - mites nutricionais e os padrões de segurança podem exigir formulações ou até mesmo o desenvolvimento de novos pro- dutos. Neste contexto, a disponibilização de formações e cursos de capacitação é essencial para dotar os profissionais das competências e ferramentas necessárias à criação de novos produtos alimentares, fortalecendo a inovação e a competi- tividade no sector.

opinião O que move a inovação alimentar? JOAQUINA PINHEIRO professora adjunta convidada da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, em Peniche (Instituto Politécnico de Leiria)

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