Grande Consumo N.º 97

alimentar

N.97

A evolução da produção nacional ajuda a per- ceber a dimensão da transformação ocorrida. Nos últimos anos, Portugal registou campanhas particu- larmente expressivas. Um dos marcos mais signifi - cativos ocorreu na campanha de 2019/2020, quando a produção nacional chegou a cerca de 140,5 mil toneladas. Em 2024, atingiu cerca de 180 mil tone- ladas de azeite, o segundo valor mais elevado de sempre, consolidando o país como um dos maiores produtores da União Europeia. Grande parte desse crescimento está associada à maturidade dos olivais intensivos e super intensivos instalados no Alentejo. Mas essa expansão trouxe também novos desa- fios. Porque, quando um sector cresce rapidamente, a pergunta inevitável deixa de ser quanto se produz, mas quanto valor se consegue gerar com o que se produz. Produzir mais foi o primeiro capítulo. Pro- duzir melhor – e vender melhor – é o capítulo que agora começa a escrever-se. Quando o preço obriga a explicar o valor Regressamos ao Alentejo, ao encontro do Esporão e da Oliveira da Serra, que nos farão companhia nes- ta viagem pelo momento em que o azeite deixou de ser apenas azeite. A mudança de paradigma tornou- -se evidente nos últimos anos. De facto, entre 2023 e 2024, o mercado internacional de azeite atraves- sou uma das maiores crises de oferta das últimas décadas. Quebras de produção em vários países mediterrânicos provocaram uma subida histórica

Os dados da campanha 2025/2026 apontam para uma produção nacional a rondar cerca de 160 mil toneladas, ligeiramente abaixo da campanha anterior, segundo a OLIVUM. Esta redução, estimada em cerca de 10%, está associada a um ano de contrassafra e a condições meteorológicas menos favoráveis. O início da campanha ficou marcado por temperaturas muito elevadas e ausência prolongada de precipitação até ao outono, o que condicionou o rendimento nas primeiras semanas. Ainda assim, o sector conseguiu preservar um dos seus principais ativos: a qualidade. Mesmo em campanhas mais desafiantes, a proporção de azeite virgem extra continua elevada

“Atualmente, após uma grande retração provocada pela subida dos preços, o sector do azeite português vive uma fase de recuperação gradual em que, apesar dos consumidores continuarem sensíveis ao preço, mostram-se atentos à qualidade e origem do produto, criando mais espaço para a diferenciação”

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