Revista digital Oil & Gas Brasil Nº 77

ARTIGO II

Há também amplo espaço para o desenvol- vimento de habilidades não técnicas (não es- pecíficas ao Health, Safety and Environment / Segurança, Meio Ambiente e Saúde – HSE/ SMS) ou comportamentais, como o aprimo- ramento da comunicação pessoal e do perfil de negociação. Abordagens econômicas mais bem funda- mentadas e estratégias de convencimento das altas gerências poderão demonstrar o montante de perdas com penalidades e lu- cros cessantes decorrentes da não qualidade e da redução da Segurança, especialmente quando se privilegia apenas o Operational Expenditure (OPEX) no curto prazo. Os cenários são verdadeiramente desafia- dores. Porém, como muitas vezes citado em diferentes fóruns, “os riscos ignorados se tornam acidentes inevitáveis”. Portanto, as oportunidades são amplamente favoráveis para os membros da nossa comunidade de Segurança que mantêm a paixão pelo aprendizado contínuo. João Carlos Alves Rodrigues é sócio fun- dador e diretor técnico na MULTI Sistemas e Engenharia, ocupou diversas posições de gerência e diretoria em multinacionais como SBM, Saipem e Maersk. Auditor Senior em Sistemas de Gestão da Segu- rança Operacional (ANP) e Rede Brasileira de Calibração e Ensaios (INMETRO).

• A partir do MTE, e novamente comparan- do-se os relatórios anuais publicados pela SIT de 2022 a 2024, observa-se um cresci- mento contínuo no número de ementas com embargos e interdições: 8.261 em 2022; 8.802 em 2023; e 9.432 em 2024. • Ainda nesses relatórios, evidencia-se não haver redução quantitativa expressiva nos acidentes de trabalho analisados, sabendo- -se que tais análises são direcionadas aos eventos com morte ou lesão grave do traba- lhador nas diferentes indústrias e segmentos produtivos do país. Foram registradas 1.265 ações de análise com 1.661 acidentados em 2022; 1.387 ações com 1.833 acidentados em 2023; e 1.282 ações com 1.575 acidentados em 2024. As perspectivas para geração de valor que devem saltar aos olhos dos profissionais de Segurança – sejam eles técnicos, analistas, engenheiros ou gestores – passam por um maior conhecimento técnico sobre os fa- tores causais com forte ocorrência em suas indústrias, como o aprimoramento da ges- tão de mudanças; a monitoração dos riscos existentes em suas atividades e em suas barreiras; a gestão da integridade elétrica e mecânica; o controle das fontes de energia sob sua responsabilidade; e um melhor pla- nejamento das tarefas.

• Ainda no SISO, há inúmeros incidentes absolutamente indesejáveis e plenamente evitáveis a partir da adequada gestão das operações. Reduzindo-se a amostra a um intervalo bem limitado, de apenas 13 dias em fevereiro de 2026 – de 03 a 15/02/26 –, nos quais foram reportados 128 eventos, destacam-se: 21 perdas de contenção por falhas de integridade mecânica; 11 que- das de objetos com elevado potencial de impacto ao trabalhador e à instalação; 1 eletrocussão durante acesso por cor- das; além de diversas falhas em lógicas de controle e instrumentação, levando a um grande número de Emergency Shutdowns (ESDs) em diferentes unidades.

• No setor aéreo, comparando-se os RA- SOS de 2022 a 2024 da ANAC, observa-se um aumento substancial do número de decolagens e horas voadas no país desde a pandemia. Dadas as dimensões continentais do Brasil, o país é um dos maiores usuários globais da aviação como meio de transporte, apoio agropecuário e serviços aéreos espe- cializados. No entanto, esse incremento dos voos foi acompanhado por uma elevação do número de incidentes reportáveis. Em seu relatório mais recente, o de 2024, a Agência lista 175 acidentes, dentre os quais registra- ram-se 113 fatalidades. Há também 77 regis- tros classificados como acidentes graves.

Foto: Divulgação

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