MATÉRIA DE CAPA
Brasil mais forte em termos energético em um mundo instável
nova escalada de tensão entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio reacendeu o alerta global sobre
Do total produzido pela estatal, cerca de 82% vêm do pré sal, a área que tem susten- tado a expansão brasileira com custos unitá- rios competitivos. No plano financeiro, a empresa registrou re- sultados robustos em 2025, com geração de caixa e lucros que ampliam sua capacidade de investimento em exploração e produção — um colchão que ajuda a atravessar perío- dos de volatilidade.
o petróleo. O Estreito de Ormuz voltou a ocupar o centro das atenções: a simples ame- aça à navegação já elevou prêmios de risco, encareceu seguros e forçou desvios logísti- cos que empurraram o preço do Brent para patamares bem acima da média recente. Em meio a esse cenário, o Brasil observa de um lugar diferente — não imune, mas mais preparado para absorver choques externos e, em certa medida, para gerir parte dos efeitos que antes eram apenas sofridos. Segundo dados da Agência Nacional do Pe- tróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) “em 2025, a produção brasileira atingiu cerca de 3,77 milhões de barris por dia, alta de 12,3% em relação ao ano anterior.” Esse salto, puxado sobretudo pelo pré sal e pelo ramp up de unidades flutuantes, repo- siciona o país entre os principais vetores de crescimento da oferta fora da OPEP. A escala alcançada altera a dinâmica: crises que antes eram apenas absorvidas agora passam a ser, em parte, administradas internamente, com mais previsibilidade e maior presença no mercado internacional. No centro dessa mudança está a Petrobras. A companhia fechou 2025 com produção total de 2,99 milhões de barris de óleo equi- valente por dia, crescimento de 11%.
Por Fabiano Reis
O coringa dos biocombustíveis
69 Mas a vantagem não elimina efeitos domésticos. A interrupção ou o risco de interrupção no Estreito de Ormuz encarece rotas alternativas — o contorno da África aumenta tempo e custo de transporte — e eleva seguros marítimos. 69 A vantagem brasileira tem outra face: a matriz de combustíveis. A imprensa inter- nacional, com destaque para análises da revista The Economist, tem apontado os biocombustíveis como uma espécie de “arma secreta” do Brasil. A combinação de etanol e biodiesel, somada à elevada parcela de veículos flex na frota, reduz o repasse integral da alta internacional para o bolso do consumidor e limita picos de demanda por gasolina importada. Em termos práticos, isso significa que, diante de um choque externo, o impacto imediato sobre os preços ao consumidor tende a ser menor do que em economias com menor penetração de biocombustíveis.
Foto: Divulgação
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REVISTA DIGITAL OIL&GAS BRASIL
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